A crise na família Bolsonaro está expondo a dificuldade da direita em conquistar o voto feminino, segundo analistas políticos. A situação, que envolve divergências públicas entre membros da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem sido apontada como um fator que afasta as mulheres do espectro político conservador.
Impacto nas pesquisas de intenção de voto
Pesquisas recentes indicam que a rejeição a políticos de direita entre o eleitorado feminino aumentou nos últimos meses. Dados do AtlasIntel mostram que a aprovação de figuras ligadas ao bolsonarismo caiu significativamente entre as mulheres, especialmente nas faixas etárias mais jovens. Especialistas atribuem esse movimento à percepção de que a direita não representa adequadamente as pautas femininas, como igualdade de gênero e combate à violência doméstica.
Reações no meio político
Lideranças da direita reconhecem o desafio. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou em entrevista: "Precisamos dialogar mais com as mulheres e mostrar que nossas propostas também beneficiam a elas". Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu que o partido precisa de mais candidatas femininas: "A representatividade importa, e a direita precisa se renovar".
A crise familiar, que incluiu trocas de farpas públicas entre Jair Bolsonaro e seus filhos, agravou a imagem do grupo. Para a cientista política Maria do Socorro Braga, da UnB, "a exposição de conflitos internos reforça estereótipos negativos e dificulta a aproximação com o eleitorado feminino, que valoriza estabilidade e diálogo".
Estratégias para reverter o cenário
Partidos de direita já discutem ações para reverter a queda no apoio feminino. Entre as propostas estão a criação de núcleos de mulheres nos diretórios e a priorização de pautas como segurança pública e educação, que têm apelo entre esse público. No entanto, analistas alertam que a crise na família Bolsonaro pode ter efeitos duradouros. "A imagem do ex-presidente está desgastada, e isso contamina todo o campo conservador", avalia o sociólogo Antonio Lavareda.
O próximo teste será nas eleições municipais de 2026, onde a direita espera manter as prefeituras conquistadas em 2024. Mas, sem reconquistar a confiança das mulheres, o caminho será árduo.



