O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno para o governo de Minas Gerais, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira. Apesar da liderança consolidada, o Republicanos já sinaliza internamente a possibilidade de desistência da candidatura do senador, o que pode alterar radicalmente o quadro eleitoral no estado.
Primeiro turno: Cleitinho dispara, Patrus e Kalil empatam tecnicamente
No levantamento estimulado para o primeiro turno, Cleitinho Azevedo marca 35% das intenções de voto, contra 12% de Alexandre Kalil (PDT) e 10% de Patrus Ananias (PT). O deputado estadual Matheus Simões (Novo) aparece com 5%, enquanto Eros Biondini (PL) e Paulo Guedes (sem partido) registram 3% cada. Os demais candidatos pontuam abaixo de 2%. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
Na prática, o resultado mostra que, mesmo sem confirmar a candidatura — o prazo de filiação se encerra em abril de 2026 —, Cleitinho já consolidou um eleitorado fiel, especialmente entre os segmentos mais conservadores e evangélicos do estado. “O nome dele é hoje o mais conhecido e bem avaliado entre os potenciais candidatos”, afirma o cientista político Lucas Mendes, analista da Quaest.
Segundo turno: vantagem robusta contra qualquer adversário
Em simulações de segundo turno, Cleitinho mantém vantagem confortável. Contra Kalil, venceria por 46% a 29%. Já contra Patrus Ananias, o placar seria de 44% a 31%. Contra Matheus Simões, a diferença é ainda maior: 45% a 24%. Os números indicam que, mesmo que a oposição se una em torno de um nome único, a dianteira do senador é difícil de ser revertida no curto prazo.
Caso Cleitinho não seja candidato, o cenário se fragmenta. Nessa hipótese, Kalil lidera com 15%, seguido por Patrus (12%) e Simões (9%). A indefinição sobre a candidatura de Cleitinho, portanto, é o fator que mantém em suspense a corrida eleitoral mineira.
Pressão interna e especulações sobre apoio a Marcelo Aro
Fontes do Republicanos ouvidas pela reportagem indicam que a cúpula do partido avalia que Cleitinho seria mais útil como cabo eleitoral para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) no plano nacional, e não como cabeça de chapa estadual. Por isso, cresce a especulação de que o senador possa abrir mão da candidatura para apoiar o deputado federal Marcelo Aro (PP), mesmo nome que já foi cogitado para compor a chapa majoritária.
A pesquisa Genial/Quaest também testou um cenário sem Cleitinho: com Marcelo Aro na disputa, ele obteria 8% das intenções de voto, atrás de Kalil, Patrus e Simões. “A saída de Cleitinho do páreo beneficiaria diretamente Kalil, que herdaria parte do eleitorado de centro-direita”, analisa Mendes.
Reações dos adversários e impactos na polarização
A campanha de Patrus Ananias, que conta com o apoio do presidente Lula, vê na indefinição de Cleitinho uma janela de oportunidade. “O PT tem estrutura e tempo de TV para crescer, especialmente se o principal adversário não entrar”, afirmou um assessor da candidatura petista. Já o entorno de Kalil aposta na queda de rejeição do ex-prefeito de Belo Horizonte, que hoje aparece com 38% de avaliação negativa.
O cenário atual reforça a percepção de que a eleição mineira será decidida nos detalhes táticos. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026, e o prazo para registro de candidaturas se encerra em 15 de agosto. Até lá, os partidos ainda podem trocar nomes e alianças.



