Fluxo cambial fica negativo em US$ 538 milhões em julho até dia 23
Fluxo cambial negativo em US$ 538 milhões em julho

O fluxo cambial brasileiro apresentou saldo negativo de US$ 538 milhões em julho, até o dia 23, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC). O resultado reflete a diferença entre as operações de câmbio contratadas no país, com saídas líquidas superando as entradas no período.

Detalhamento do resultado

No acumulado do mês, o canal financeiro registrou saídas líquidas de US$ 1,054 bilhão, enquanto o canal comercial apresentou entradas líquidas de US$ 516 milhões. O fluxo cambial total negativo de US$ 538 milhões foi puxado principalmente pelo segmento financeiro, que inclui investimentos estrangeiros em portfólio, remessas de lucros e dividendos, e operações de hedge.

Segundo o BC, o fluxo cambial negativo no período reflete a saída de recursos do mercado doméstico, influenciada por fatores como a incerteza no cenário internacional e a volatilidade nos mercados emergentes. O resultado de julho contrasta com o saldo positivo de US$ 2,1 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.

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Comparação com períodos anteriores

No acumulado do ano até 23 de julho, o fluxo cambial total está negativo em US$ 1,2 bilhão, contra um superávit de US$ 3,8 bilhões no mesmo período de 2025. A piora no fluxo cambial tem sido atribuída à maior demanda por moeda estrangeira por parte de investidores institucionais e empresas, que estão aumentando suas posições em ativos no exterior.

Em nota, o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, José Carlos de Almeida, afirmou que "o resultado negativo de julho está dentro do esperado, dado o cenário de aversão ao risco global e a saída de capitais de mercados emergentes. No entanto, o fluxo comercial ainda mostra resiliência, com superávit parcial no mês".

Impactos na economia

O fluxo cambial negativo pressiona o câmbio, contribuindo para a desvalorização do real frente ao dólar. Em julho, a moeda americana acumulou alta de 2,3% contra o real, fechando a R$ 5,42 no dia 23. Analistas avaliam que a tendência de saída de recursos pode se manter no curto prazo, dependendo das decisões de política monetária nos Estados Unidos e do comportamento das commodities.

O Banco Central monitora o fluxo cambial como um indicador importante para a balança de pagamentos e para a formação de expectativas sobre a taxa de câmbio. A autoridade monetária já sinalizou que pode atuar no mercado de câmbio, via leilões de swap cambial ou venda de dólares à vista, para conter volatilidade excessiva.

O resultado de julho reforça a necessidade de atenção dos agentes econômicos às condições externas, que têm impacto direto sobre a liquidez e o custo do financiamento no Brasil.

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