Chanceler argentino nega rompimento, mas admite diferenças com Lula
Chanceler argentino nega rompimento, admite diferenças

O chanceler interino da Argentina, Pablo Quirno, declarou nesta quarta-feira que, apesar das 'diferenças políticas' entre os governos de Javier Milei e Luiz Inácio Lula da Silva, 'não há nenhuma chance' de rompimento diplomático entre os dois países. A fala ocorre em meio a tensões após a participação de Milei em um ato partidário do Partido Liberal (PL) no Brasil, interpretado como um sinal de apoio explícito à família Bolsonaro.

Declaração de Quirno e Contexto

Em entrevista coletiva em Buenos Aires, Quirno enfatizou que as relações bilaterais são sólidas e que divergências pontuais não afetam os laços históricos. 'Temos diferenças políticas, mas a relação com o Brasil é estratégica. Não há nenhuma chance de rompimento', afirmou o chanceler. Ele destacou que o comércio bilateral supera US$ 30 bilhões anuais e que os países compartilham interesses no Mercosul e em fóruns multilaterais.

A declaração surge após críticas do governo Lula à presença de Milei no evento do PL, realizado em 7 de setembro em São Paulo. O presidente argentino discursou ao lado de Jair Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas, gerando mal-estar no Palácio do Planalto.

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Reações do Governo Brasileiro

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por meio de nota, classificou a participação de Milei como 'ato de ingerência' e lembrou que o Brasil respeita a soberania argentina. Parlamentares da base governista chegaram a pedir uma convocação do embaixador argentino para esclarecimentos. No entanto, fontes do Itamaraty afirmam que o episódio não deve escalar para uma crise diplomática.

Impacto nas Relações Bilaterais

Especialistas avaliam que a aproximação de Milei com Bolsonaro reflete a polarização ideológica na América do Sul, mas não altera os acordos comerciais e de infraestrutura entre Brasil e Argentina. 'As relações institucionais são maiores que as afinidades pessoais', analisa a cientista política Camila Rocha, da Universidade de São Paulo. Segundo ela, o Mercosul e as cadeias produtivas integradas, como a automotiva, impedem um rompimento prático.

Posicionamento de Milei

O presidente argentino, em discurso no evento do PL, elogiou Bolsonaro e mencionou 'valores de liberdade', sem citar Lula diretamente. Assessores de Milei afirmam que a visita foi uma 'cortesia política' e que não há intenção de deteriorar relações com o governo brasileiro. O próprio Quirno ressaltou que o chanceler Mauricio Macri (em referência ao ex-presidente, que atualmente atua como enviado especial) mantém diálogo constante com o Itamaraty.

Próximos Passos

Diplomatas dos dois países preveem que o assunto será amenizado nas próximas reuniões do Mercosul, previstas para outubro. Enquanto isso, Quirno minimiza a controvérsia: 'Somos parceiros históricos. Uma visita a um evento partidário não abala nossa relação', concluiu.

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