Em pouco mais de três anos à frente do governo do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) cumpriu integralmente apenas 5 das 20 promessas feitas durante a campanha de 2022, segundo levantamento do g1. O projeto Promessas dos Políticos acompanha o cumprimento de compromissos de candidatos a prefeituras, governos estaduais e à Presidência. O balanço considera o período de 1º de janeiro de 2023 a 30 de junho de 2026, equivalente a três anos e meio de mandato. Castro renunciou em 23 de maio e foi cassado posteriormente, ficando inelegível. Com a saída do vice, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, assumiu o governo até decisão sobre nova eleição, que aguarda julgamento no STF.
Desempenho geral das promessas
Das 20 promessas assumidas por Castro, 5 foram cumpridas integralmente, 6 foram parcialmente cumpridas e 9 não foram cumpridas. O monitoramento é feito por jornalistas do g1 desde 2015, seguindo metodologia própria. A equipe do atual governador em exercício, Ricardo Couto, afirmou que "a atual gestão adota uma política de austeridade, com foco na eficiência administrativa e na prioridade aos serviços essenciais" e que "não comenta ações, metas ou propostas de gestões anteriores".
Promessas na saúde
Na área da saúde, Castro prometeu inaugurar o Rio Imagem Baixada. A unidade foi aberta em julho de 2023 em Nova Iguaçu, com capacidade para até 40 mil diagnósticos por mês. Também prometeu reformar os hospitais estaduais Azevedo Lima, Roberto Chabo e Getúlio Vargas. As obras dos dois primeiros foram concluídas em 2024, e a reforma do Getúlio Vargas, segundo a assessoria, também foi concluída em 2024, com investimento de R$ 1,4 milhão. A promessa de descentralizar o atendimento e zerar filas de cirurgias eletivas e consultas foi parcialmente cumprida. A Secretaria Estadual de Saúde informou que o prazo para cateterismo cardíaco caiu de 79 para até 20 dias, e a espera por cirurgia bariátrica passou de 1.300 para 476 dias. No entanto, o Relatório Anual de Gestão 2025 reconhece que a redução da fila de espera ainda não foi alcançada. A promessa de criar unidades do Samu no interior não foi cumprida; a assessoria afirmou que a promessa se referia à entrega de veículos, não de bases, e que 249 ambulâncias foram entregues.
Promessas na segurança pública
Na segurança, a ampliação do Programa Segurança Presente foi cumprida: o número de bases passou de 33 para 61, superando a meta de 15 novas unidades. O Programa Cidade Integrada, prometido com ampliação, beneficiou mais de 224 mil pessoas, segundo a equipe do ex-governador. A promessa de reduzir a letalidade das operações policiais teve resultados mistos. Dados do ISP mostram redução nas mortes por intervenção policial em relação a 2022 (1.330 casos), mas em 2025 houve aumento em relação a 2024: 800 mortes contra 703. A operação nos Complexos da Penha e do Alemão, em outubro de 2025, com 122 mortos, foi a mais letal da história do estado. As câmeras corporais, obrigatórias desde 2023, enfrentam problemas de uso irregular. A construção de um novo complexo de treinamento para a PM não teve avanço.
Promessas na educação e cultura
Na educação, Castro prometeu reformar 50 Cieps. A assessoria informou que 50 Escolas de Novas Tecnologias e Oportunidades (E-Tecs) entraram em operação, com investimento de cerca de R$ 340 milhões em obras de infraestrutura escolar. A Secretaria de Educação esclareceu que as unidades começaram a operar gradualmente a partir de julho de 2022 até o início de 2023. A conclusão do Museu da Imagem e do Som (MIS) não foi cumprida: uma exposição temporária foi inaugurada em abril, mas o imóvel ainda não está pronto. A promessa de aumentar salários de professores em 2023 não foi cumprida. O Sepe-RJ informa que a categoria aguarda parcelas restantes da recomposição salarial desde 2023. A assessoria de Castro não confirmou aumento, mas citou a nomeação de mais de 2,6 mil professores e a migração de carga horária de 9 mil docentes.
Promessas sociais e econômicas
Na área social, a promessa de abrir 26 Restaurantes do Povo foi parcialmente cumprida: 9 unidades foram abertas. A geração de mais de um milhão de empregos não foi alcançada: o estado obteve 420.312 empregos formais, segundo o Caged, pouco menos da metade da meta. Na habitação, a promessa de construir 5 mil unidades não foi cumprida; foram entregues 368 moradias, com 2.146 em construção. A revitalização de 882 km de vias foi superada: a gestão executou 1.218,7 km de obras de pavimentação e drenagem, segundo a Secretaria de Cidades. A atual gestão informou que foram entregues 595,73 km de pavimentação e intervenções viárias.
Promessas de infraestrutura e mobilidade
A interligação da Via Light à Avenida Brasil, na Pavuna, não foi iniciada. A assessoria de Castro classificou a obra como de alta complexidade. A retomada de investimentos no Comperj não ocorreu; a atuação foi concentrada em articulação institucional. A implementação do BRS em São Gonçalo está em fase final, com 86,19% de execução, mas o sistema não entrou em funcionamento. A construção do Metrô Leve na Baixada Fluminense e da Linha 3 do metrô (São Gonçalo-Arariboia) não saíram do papel; ambas dependem de estudos e financiamento.



