O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, voltou a atacar o ex-ministro Flávio Dino, chamando-o de 'candidato sabor agro'. A declaração foi dada durante evento em Rio Verde, no sudoeste goiano, na última sexta-feira (2). A fala acirra a disputa pela sucessão presidencial de 2026, com ambos os políticos buscando o eleitorado do agronegócio.
Contexto da declaração
Caiado, que é pré-candidato à Presidência pelo União Brasil, usou o palco da 22ª edição da Rio Verde Expo, uma das maiores feiras agropecuárias do país, para alfinetar o adversário. 'Ele se veste de agro, mas não tem compromisso com o setor. É um candidato sabor agro, de fachada', afirmou o governador, em discurso para produtores rurais.
Essa não é a primeira vez que Caiado usa a expressão. Em junho, durante a Festa do Peão de Barretos, ele já havia feito referência semelhante. A estratégia visa descolar a imagem de Flávio Dino, que tem tentado se aproximar do agronegócio nos últimos meses, especialmente após deixar o Ministério da Justiça.
Disputa pelo eleitorado do agro
O agronegócio é um dos setores mais cobiçados na política brasileira. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor representa cerca de 25% do PIB nacional. Em 2026, a expectativa é que os candidatos intensifiquem o cortejo a esse público, que historicamente tende a apoiar candidaturas de direita e centro-direita.
Flávio Dino, pré-candidato pelo PDT, tem feito movimentos para se aproximar de entidades do setor, como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Em julho, ele participou de um encontro com lideranças rurais no Mato Grosso, onde defendeu a modernização do setor e a segurança jurídica no campo.
No entanto, Caiado questiona a sinceridade dessas ações. 'Ele não conhece a realidade do campo. Nunca defendeu uma pauta nossa no Senado, nunca votou a favor do agro', disse o governador, referindo-se à atuação de Dino como senador pelo Maranhão, entre 2015 e 2022.
Reações e repercussão
A declaração de Caiado gerou reações imediatas. O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), comentou o episódio. 'Não cabe a nós julgar quem é mais agro. O setor olha para propostas concretas, não para rótulos', afirmou. Lupion ressaltou que a entidade pretende receber todos os candidatos no próximo ano.
Nas redes sociais, a expressão 'candidato sabor agro' se tornou um dos assuntos mais comentados, com memes e críticas de ambos os lados. A hashtag #CaiadoSaborAgro chegou a ficar entre os trending topics no X, com apoiadores de Dino usando a ironia para atacar o governador.
Impactos na corrida eleitoral
Especialistas avaliam que a troca de farpas pode ter efeito limitado no eleitorado. 'O agro não decide voto com base em provocações, mas em políticas públicas e alianças', analisa a cientista política Maria do Socorro Braga, da Universidade Federal de Goiás. 'No entanto, esse tipo de discurso pode reforçar a base de cada candidato e mobilizar apoiadores.'
A disputa pelo voto rural deve se intensificar nos próximos meses. Caiado já anunciou que fará uma caravana pelo interior do país no segundo semestre, enquanto Dino planeja visitar os principais polos agrícolas, como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.
Além disso, a polarização entre os dois pré-candidatos pode abrir espaço para outros nomes, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que segue forte no eleitorado rural, e o atual presidente Lula (PT), que tenta manter apoio no setor.
Histórico de ataques
Esta não é a primeira vez que Caiado e Dino trocam acusações. Em 2024, durante a campanha municipal, eles já haviam se enfrentado por causa de emendas parlamentares. Caiado acusou Dino de 'oportunismo político' após o ex-ministro elogiar a gestão de Goiás, enquanto Dino rebateu dizendo que o governador 'não aceita críticas'.
A relação entre os dois deve continuar tensa até as eleições. Ambos disputam o mesmo eleitorado, e a estratégia de desqualificar o adversário é comum em cenários de alta competitividade.
Próximos passos
Com as eleições marcadas para outubro de 2026, os pré-candidatos têm pouco mais de um ano para consolidar suas candidaturas. As convenções partidárias estão previstas para julho do próximo ano, e as alianças serão fundamentais para definir quem terá mais chances de vitória.
Caiado conta com o apoio do União Brasil, que busca ampliar sua presença no Centro-Oeste. Dino, por sua vez, tenta viabilizar uma chapa com o PDT, mas enfrenta resistência interna de setores que preferem apoiar Lula.
Enquanto isso, o agronegócio observa atento. 'O setor quer ouvir propostas sobre infraestrutura, logística, crédito e meio ambiente', resume o analista de mercado agrícola, José Carlos Ribeiro. 'Quem apresentar um plano consistente, terá nosso apoio.'
O episódio desta semana mostra que a campanha será marcada por embates diretos, e o 'candidato sabor agro' pode se tornar um bordão repetido até 2026.



