Brasileiros torceram contra a seleção na Copa de 70
Brasileiros torceram contra seleção na Copa de 70

Durante a Copa do Mundo de 1970, realizada no México, um episódio pouco conhecido marcou a história do futebol brasileiro: alguns brasileiros torceram contra a própria seleção. O motivo era político. Em meio à ditadura militar que governava o Brasil desde 1964, setores da esquerda viam a seleção como um símbolo do regime e, por isso, desejavam sua derrota.

O contexto político da época

O regime militar utilizava o futebol como ferramenta de propaganda, associando as conquistas esportivas ao sucesso do governo. A Copa de 1970, vencida pelo Brasil com atuações memoráveis de Pelé, foi amplamente explorada pela ditadura para promover uma imagem de união nacional e progresso. No entanto, para os opositores do regime, a seleção representava a opressão e a falta de liberdade.

Documentos e relatos da época indicam que grupos de esquerda, incluindo estudantes e militantes, torciam abertamente contra o Brasil. Em alguns casos, chegavam a comemorar gols adversários. Essa postura era uma forma de protesto, uma maneira de demonstrar rejeição ao governo militar.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O filme 'Pra frente, Brasil'

O episódio foi retratado no filme 'Pra frente, Brasil', de 1982, dirigido por Roberto Farias. A obra mostra a história de um cidadão preso e torturado durante a ditadura, tendo como pano de fundo a Copa de 70. O filme ilustra a ambiguidade de sentimentos na época: o orgulho pelo futebol e a repulsa pelo regime.

Embora hoje pareça estranho torcer contra a seleção, para muitos brasileiros naquela época, a atitude era uma forma de resistência. O debate sobre a relação entre esporte e política permanece atual, lembrando que o futebol nunca é apenas futebol.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar