O Jaguar XJ220 que pertenceu ao tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet foi vendido por R$ 6,9 milhões durante um leilão beneficente organizado pelo museu Carde, em Campos do Jordão. O veículo, que foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo em 1994, deixou o acervo do museu há um mês, e o balanço do evento foi divulgado na última terça-feira (2).
Leilão de outono bate recordes
De acordo com o museu, dos três leilões beneficentes realizados – Winter Sale, em julho, e Spring Sale, em novembro – a chamada Venda de Outono foi a mais disputada, com 789 lances e 43 mil acessos ao site oficial. Dos 54 lotes, 50 foram comercializados, somando R$ 26 milhões. Do total, R$ 1,2 milhão será destinado à Fundação Lia Maria Aguiar, mantenedora do Carde.
“Esse montante contribuirá para as ações da Fundação Lia Maria Aguiar, que já dá assistência para mais de 700 jovens e crianças em Campos do Jordão. É um resultado expressivo, que nos incentiva a continuar com os leilões beneficentes, com lotes de qualidade comprovada, com a credibilidade do Carde”, explica Luiz Goshima, diretor do museu de Campos do Jordão.
Opalas do Chevrolet Vintage também se destacam
Os clássicos mais cobiçados, contudo, foram os dois Opalas oriundos do programa Chevrolet Vintage, arrematados por R$ 550 mil cada: o verde, de 1979, teve 38 lances e o amarelo, de 1976, 50 ofertas. Outro nacional bem disputado foi o Volkswagen Passat GTS Pointer 1988, com apenas 400 quilômetros rodados, comercializado por R$ 412,5 mil.
O próximo leilão do Carde está programado para o fim do ano.
Ícone dos anos 1990
Os anos 1980 e 1990 foram prolíficos na produção de superesportivos, como Ferrari F40, Porsche 959, Bugatti EB110 e McLaren F1. Tão veloz, exótico, exclusivo e raro – mas nem sempre reconhecido assim –, o Jaguar XJ220 faz parte desse exclusivo clube. Aliás, foi de um clube que o XJ220 nasceu, há pouco mais de 30 anos.
No final de 1987, a Jaguar tinha acabado de vencer o World Sport-Prototype Championship com um XJR-8. Jim Randle, então chefe de engenharia da fabricante inglesa, pensou que era o momento certo para a marca ter um carro de corrida homologado para as ruas. Como sabia que a Jaguar jamais patrocinaria tal extravagância, Randle recrutou voluntários da própria fabricante para desenvolver o projeto, fora do horário de expediente. Daí surge o Saturday Club, uma reunião de 12 engenheiros da Jaguar que se encontravam aos sábados para planejar o próximo supercarro da empresa.
O conceito foi adiante e a Jaguar decidiu exibi-lo durante o British International Motor Show de 1988; quatro anos depois, a versão de produção estava pronta e chegava às lojas.
Desempenho e controvérsia
Para alcançar níveis de desempenho até então inéditos para um Jaguar, a empresa contratou a Tom Walkinshaw Racing como parceira na construção do carro. Projetado para ter um V12 e tração integral, o XJ220 acabou equipado com um 3.5 V6 biturbo (central), que despejava seus 550 cv e 65,3 kgfm de torque nas rodas traseiras por meio de um câmbio manual de cinco marchas. Contudo, boa parte dos clientes já havia depositado £ 50.000 de sinal para ter um Jaguar V12, e não V6 – o que gerou à fabricante alguns processos judiciais.
Mesmo assim, o XJ220 se tornou o carro mais rápido do mundo em 1992, ao atingir 340 km/h de velocidade máxima. Até mesmo pneus especiais, nas medidas 345/35, de 18 polegadas, a Bridgestone desenvolveu especialmente para ele. Ainda que custasse exorbitantes £ 470.000, deu prejuízo à Jaguar. Em 1994, o XJ220 saiu de cena após 275 unidades produzidas.



