O acesso a emendas parlamentares, ao fundo eleitoral (fundão) e a cláusula de barreira devem reduzir a renovação na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. A estimativa é do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), com base em pesquisa que mostra que 448 dos 513 deputados federais em exercício são pré-candidatos à reeleição – 87,3% da Casa, o maior percentual da série histórica.
Fatores que desestimulam a renovação
Segundo o Diap, a combinação de recursos do fundão, emendas impositivas e a cláusula de barreira cria um ambiente favorável à permanência dos atuais parlamentares. O fundo eleitoral de 2026 deve superar R$ 5 bilhões, e os deputados têm acesso a emendas que somam bilhões, o que fortalece suas campanhas. A cláusula de barreira, que exige que partidos atinjam um mínimo de votos ou elejam ao menos 11 deputados para ter acesso a recursos e tempo de TV, também desestimula candidaturas de fora do sistema.
Comparação com eleições anteriores
O percentual de 87,3% supera o de 2022, quando 82% dos deputados buscaram reeleição, e o de 2018, com 80%. A taxa de renovação efetiva (novos eleitos) caiu de 47% em 2014 para 40% em 2022. Para 2026, o Diap projeta uma renovação ainda menor, possivelmente abaixo de 35%.
Impacto no Legislativo
O baixo índice de renovação pode enfraquecer a representatividade e a oxigenação do Parlamento. “A permanência de muitos deputados por múltiplos mandatos reduz a diversidade de ideias e dificulta a entrada de novas lideranças”, afirma o analista político do Diap, Antônio Augusto de Queiroz. Ele acrescenta que a concentração de poder nas mãos de poucos partidos, devido à cláusula de barreira, também limita a competição.
A pesquisa do Diap considera todos os 513 deputados em exercício, incluindo os que estão em licença ou em cargos no Executivo. O levantamento foi feito entre janeiro e março de 2025.



