Aliados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro cunharam um novo apelido para se referir aos radicais que a atacam nas redes sociais: 'MIM', sigla para 'Movimento Inútil de Maldizentes'. A expressão foi adotada por apoiadores próximos como forma de desqualificar as críticas e unificar a base de apoio em torno da figura de Michelle.
Origem do termo
De acordo com fontes ligadas ao entorno da ex-primeira-dama, o termo surgiu em grupos fechados de WhatsApp e Telegram, onde aliados discutem estratégias de comunicação. 'MIM' seria uma resposta direta aos perfis anônimos e grupos organizados que promovem ataques constantes contra Michelle, especialmente após sua participação em eventos políticos ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Uma das articuladoras do grupo, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), afirmou: 'Não vamos dar palco para esses perfis que só querem tumultuar. Chamá-los de MIM é uma forma de mostrar que não nos abalamos com a baixaria.'
Estratégia de comunicação
A criação do apelido faz parte de uma estratégia mais ampla de blindagem digital de Michelle Bolsonaro, que tem se tornado alvo frequente de críticas de setores mais radicais da própria direita. Segundo analistas políticos, o movimento busca neutralizar ataques vindos de grupos que consideram Michelle 'moderada' demais em comparação com a ala mais extremista do bolsonarismo.
Dados de monitoramento de redes sociais indicam que, nos últimos três meses, as menções negativas a Michelle cresceram 40%, impulsionadas por perfis com discurso radicalizado. Em contrapartida, o uso da hashtag #MIM foi registrado em mais de 5 mil publicações no Twitter e Instagram em apenas uma semana.
Reações e críticas
A iniciativa gerou reações mistas. Enquanto apoiadores elogiam a 'criatividade' e a 'resposta firme', críticos apontam que o termo pode ser interpretado como uma tentativa de silenciar opositores legítimos. O cientista político Paulo Baía, da UFRJ, comentou: 'Rotular adversários de 'inúteis' pode inflamar ainda mais o debate, mas também mostra que Michelle busca se posicionar como vítima de uma perseguição injusta.'
Nas redes, o termo já é usado tanto por aliados quanto por detratores, que o ressignificaram para 'Movimento de Intolerância Maldosa'. A disputa pelo significado do acrônimo reflete a polarização que marca o ambiente digital brasileiro.
Impacto na imagem de Michelle
A estratégia de apelidar críticos não é inédita na política brasileira, mas ganha contornos específicos no caso de Michelle, que busca consolidar seu próprio capital político. Pesquisa recente do instituto Datafolha mostrou que a ex-primeira-dama tem 28% de avaliação positiva entre os eleitores, mas 35% a avaliam negativamente – índice influenciado pelos ataques nas redes.
Aliados acreditam que o apelido 'MIM' pode ajudar a reduzir a exposição a críticas e fortalecer a base, mas especialistas alertam que a tática pode ter efeito limitado se não vier acompanhada de propostas concretas. 'Apelidar o adversário é uma forma de marketing, mas não substitui conteúdo político', resumiu Baía.



