Um levantamento da consultoria Bites, divulgado pelo GLOBO, revela uma onda de ataques nas redes sociais contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e suas aliadas, em meio à crise com o filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro. Desde junho, um terço das 300 mil menções à ex-primeira-dama são críticas, associando-a a figuras afastadas do núcleo de Flávio, como Nikolas Ferreira, Tarcísio de Freitas e Rodrigo Constantino.
Acusações de 'traidora' e 'feminista' dominam ataques
As publicações atacam aliadas de Michelle e a associam a nomes da direita que se distanciaram do grupo de Flávio. Entre os termos mais usados estão 'traidora' e 'feminista', com uma conotação pejorativa no contexto bolsonarista. Os ataques intensificaram-se após sua saída da presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2022.
Contexto da crise familiar
A crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro tornou-se pública nas últimas semanas, com divergências sobre a condução do partido e alianças políticas. Enquanto Michelle busca aproximação com governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Flávio mantém uma postura mais alinhada ao núcleo duro do bolsonarismo, que vê com desconfiança figuras consideradas moderadas.
Dados do levantamento
Segundo a Bites, as menções negativas a Michelle cresceram 40% em relação ao mês anterior. O pico ocorreu entre os dias 15 e 20 de junho, quando circularam rumores de que ela estaria articulando uma candidatura própria ao Senado. 'A associação a Nikolas Ferreira e Tarcísio de Freitas é usada como arma política para deslegitimar Michelle dentro da base bolsonarista', explica o analista da consultoria.
Repercussão entre aliados
Aliados de Michelle afirmam que os ataques são orquestrados por grupos ligados a Flávio. 'Ela está sendo vítima de uma campanha difamatória porque defende a união da direita, não o isolamento', disse um assessor próximo, sob anonimato. Já apoiadores de Flávio negam envolvimento e atribuem as críticas a 'insatisfação natural da base'.



