O Partido Liberal (PL) deposita no senador Flávio Bolsonaro sua principal esperança de ampliar a arrecadação de recursos para a próxima disputa eleitoral. A avaliação interna é que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem trânsito com setores empresariais e capacidade de articulação política para atrair doações e viabilizar financeiramente as candidaturas da sigla. A informação é do blog Bela Megale, do jornal O Globo, e reflete o movimento do partido para estruturar sua estratégia de financiamento já neste ano.
Centralidade na estratégia eleitoral
Nos bastidores, a cúpula do PL vem tratando a captação de recursos como um dos pilares para a eleição de 2026. Em encontros recentes, Flávio Bolsonaro tem sido apontado como o nome mais preparado para conduzir esse processo, pela proximidade que mantém com o núcleo bolsonarista e pela experiência acumulada em campanhas anteriores. A percepção é de que ele consegue dialogar com diferentes perfis de doadores, desde grandes empresários até pequenos contribuintes organizados por plataformas digitais.
O partido, que hoje integra a base governista e projeta lançar candidatos competitivos em todos os estados, entende que sem um caixa robusto não conseguirá ampliar sua presença no Congresso e nos governos estaduais. A estratégia passa por uma arrecadação pulverizada e, ao mesmo tempo, focada em grandes doações, que são permitidas nos limites legais para pessoas físicas e jurídicas.
Papel de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro, que exerce o mandato de senador pelo Rio de Janeiro, já participa do comitê de arrecadação do PL e deve assumir papel mais visível nos próximos meses. A ideia é que ele coordene eventos com empresários, jantares com potenciais doadores e a articulação com o diretório nacional. Apesar dos desgastes decorrentes de investigações passadas, aliados avaliam que sua capacidade de mobilizar apoiadores do ex-presidente segue alta.
No radar do PL, também está a utilização de ferramentas digitais para a arrecadação, com a criação de canais diretos de contribuição. Nesse cenário, Flávio é visto como uma ponte entre o partido e o eleitorado mais fiel, que já demonstrou disposição para doar valores menores de forma recorrente.
Comparação com ciclos anteriores
A movimentação do PL ocorre em um contexto em que os custos de campanha crescem a cada eleição. O partido tenta superar o desempenho das últimas disputas, em que a dependência de recursos de grandes empreiteiras e de setores específicos da economia limitou o alcance de suas candidaturas. Dessa vez, a meta é diversificar as fontes de receita e reduzir a vulnerabilidade a cortes orçamentários.
Nos bastidores, lideranças do partido citam a necessidade de separar a arrecadação da gestão financeira, criando um núcleo especializado comandado por Flávio. Essa estrutura teria a missão de mapear doadores em potencial, organizar agendas e garantir que o repasse dos recursos seja feito dentro das regras eleitorais.
Impacto no arco de alianças
A aposta em Flávio também tem efeito sobre as negociações de coligação. O PL busca apresentar-se como um partido forte financeiramente para atrair aliados mais frágeis, que dependem de estrutura de campanha. A expectativa é que a capacidade de arrecadação seja usada como moeda de troca na formação de chapas proporcionais e majoritárias.
Além disso, a presença de Flávio à frente da arrecadação ajuda a manter o núcleo bolsonarista unido em torno da legenda. Nos últimos meses, houve disputas internas pelo controle do diretório nacional, mas a definição de um plano financeiro comum reduziu os atritos e concentrou esforços nas metas de captação.
Desafios e monitoramento
O caminho, no entanto, não é simples. Flávio Bolsonaro precisa administrar sua imagem pública em um momento em que a justiça eleitoral e o Ministério Público intensificam a fiscalização sobre o financiamento de campanhas. Qualquer irregularidade pode colocar a estratégia em risco. O partido, por isso, montou um departamento jurídico dedicado à conformidade das doações, com auditoria externa permanente.
Outro ponto de atenção é o calendário eleitoral. As prévias e as convenções partidárias estão previstas para o segundo semestre, mas a arrecadação já precisa estar engatilhada para os primeiros gastos com pesquisas e estrutura. O PL quer evitar atrasos como os registrados no pleito passado, quando parte dos recursos só chegou na reta final da campanha.
Posicionamento oficial
Procurado, o PL não confirmou oficialmente a designação de Flávio Bolsonaro para o comando da arrecadação, o que deve ser anunciado nos próximos dias. O senador, por sua vez, evitou dar declarações públicas sobre o assunto, limitando-se a notas internas para os diretórios regionais. Ainda assim, aliados próximos garantem que ele está comprometido com o projeto e pronto para assumir a missão.
O cenário indica que o partido aposta todas as fichas na pré-candidatura de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto, com Flávio como peça-chave na engenharia financeira da campanha. A expectativa é de que, com uma arrecadação robusta, o PL consiga manter-se como a maior força da direita no país e ampliar sua influência nas próximas eleições.



