Armínio Fraga defende voto em Lula em 2022, mas critica situação fiscal
Armínio Fraga defende voto em Lula, mas critica fiscal

O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, afirmou não se arrepender “nem um pouco” de ter votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2022. Em entrevista à BandNews na segunda-feira (27), ele explicou que sua escolha foi movida por preocupações com a democracia, não por fatores econômicos.

Voto baseado na democracia

“Meu voto não foi econômico. Naquele momento, eu tinha sérias preocupações com o futuro da nossa democracia. Eu acredito na democracia, na liberdade e os sinais estavam sendo dados”, destacou Fraga. A declaração reforça o apoio do ex-presidente do BC ao petista em um contexto de polarização política.

Embora tenha votado em Lula, Fraga não poupou críticas à gestão atual, especialmente no campo fiscal. Ele alertou que, apesar de um cenário econômico favorável nos últimos anos, o país enfrenta riscos crescentes.

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Críticas à política fiscal e econômica

“O quadro hoje é bom porque o Brasil teve três anos e meio de crescimento. O desemprego está na mínima, mas olhando para frente já há sinais de que a economia começa a desacelerar”, criticou Fraga. Ele destacou a necessidade de ajustes estruturantes para evitar o agravamento da dívida pública.

Segundo o economista, “vai ser preciso realizar mudanças importantes nos rumos da política econômica, de natureza até estrutural, eu diria. Na previdência, uma reforma do Estado, em questões ligadas aos regimes de renda. Tem vários espaços para se trabalhar”. A declaração aponta para preocupações com a sustentabilidade fiscal no médio prazo.

Indecisão para as eleições de 2026

Questionado sobre as eleições presidenciais deste ano, Armínio Fraga afirmou ainda não ter decidido em quem votará. “Eu tô aguardando, quero ver para onde o debate vai nos levar, quem é que vai estar na final. Nós estamos ainda na semifinal da Copa”, comparou. Ele ressaltou que pretende votar da forma que entender como a “melhor para a sociedade brasileira”.

A declaração ocorre em meio à indefinição sobre os candidatos, com Lula buscando a reeleição e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato.

Pesquisa mostra Lula à frente

Segundo a mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada na quarta-feira (29), Lula mantém vantagem na disputa eleitoral. No primeiro turno, o petista lidera com ligeiro recuo de 1 ponto percentual dentro da margem de erro. Já no segundo turno projetado, Lula tem 49,2% contra 42,9% de Flávio Bolsonaro, reforçando a estabilidade do cenário.

O levantamento indica que, embora a liderança de Lula seja consistente, a distância para o principal adversário ainda exige atenção. A pesquisa foi realizada pelo AtlasIntel em parceria com a Bloomberg e divulgada no início da semana.

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