Após Copa, mercado foca contagem regressiva para eleição
Após Copa, mercado foca contagem regressiva para eleição

Com o apito final da Copa do Mundo, o mercado financeiro brasileiro já iniciou a contagem regressiva para o evento que promete ser o grande catalisador dos próximos meses: as eleições presidenciais de outubro. A expectativa é de que a volatilidade aumente à medida que as pesquisas eleitorais se intensifiquem e os candidatos apresentem suas propostas econômicas.

Impacto imediato no câmbio e na bolsa

Na primeira sessão após o torneio, o dólar comercial fechou em queda de 0,8%, cotado a R$ 4,85, enquanto o Ibovespa registrou alta de 1,2%, aos 125.000 pontos. Segundo analistas, o movimento reflete um alívio temporário com o fim da Copa, mas a tendência é de maior nervosismo nas próximas semanas. "O mercado agora respira eleição. A cada pesquisa, teremos ajustes nos preços dos ativos", afirma Carlos Medeiros, economista-chefe da Alpha Asset.

Pesquisas eleitorais no radar

As primeiras sondagens pós-Copa já mostram um cenário polarizado entre o atual presidente e seu principal adversário. O candidato da situação aparece com 38% das intenções de voto, contra 35% do opositor. A diferença dentro da margem de erro acende o alerta para uma disputa acirrada, o que historicamente eleva a aversão ao risco entre investidores.

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Agenda econômica e reformas

Além das pesquisas, o mercado monitora de perto as propostas econômicas dos candidatos. A continuidade das reformas fiscal e tributária é vista como crucial para a sustentabilidade da dívida pública e para a atração de investimentos estrangeiros. "O próximo governo terá que enfrentar o desafio de equilibrar as contas sem desacelerar a economia", destaca relatório do BTG Pactual.

Projeções para o segundo semestre

Instituições financeiras já revisam suas projeções para o câmbio e a bolsa. O Goldman Sachs, por exemplo, estima que o Ibovespa pode variar entre 115.000 e 135.000 pontos até o fim do ano, dependendo do cenário eleitoral. Para o dólar, a projeção é de uma taxa entre R$ 4,70 e R$ 5,10. "A incerteza eleitoral deve manter o real pressionado, mas uma vitória de um candidato pró-mercado pode gerar uma apreciação significativa", avalia o banco.

Efeitos sobre investimentos estrangeiros

O fluxo de capital estrangeiro também está atrelado ao resultado das urnas. Dados da B3 mostram que, em junho, os investidores estrangeiros retiraram R$ 8 bilhões da bolsa brasileira. Com a Copa encerrada, a expectativa é de que esses recursos retornem gradualmente, mas de forma seletiva. "Os gringos estão esperando mais clareza sobre o rumo do país. Só voltarão com força se houver sinalização de responsabilidade fiscal", comenta o sócio de uma gestora internacional.

Setores mais sensíveis

Empresas estatais, como Petrobras e Eletrobras, e setores regulados, como energia e saneamento, devem ser os mais impactados pela retórica dos candidatos. Qualquer menção a intervenção estatal ou mudanças nas regras de preços pode gerar fortes oscilações nas ações dessas companhias. Já setores como agronegócio e mineração tendem a ser menos voláteis, dependendo mais do cenário externo.

Calendário eleitoral e próximos passos

Com o primeiro turno marcado para 7 de outubro, o mercado terá pouco mais de três meses para precificar os possíveis desfechos. Os debates televisivos, que começam em agosto, serão momentos-chave para a formação das expectativas. "Cada declaração dos candidatos será dissecada. O mercado não perdoa erros", conclui Medeiros.

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