Ruptura com aliados históricos
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), enfrenta uma crise em sua base de apoio a menos de quatro meses das eleições de outubro. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, o chefe do Executivo estadual perdeu o apoio de dois partidos fundamentais para sua campanha de reeleição: o MDB e o PP. As siglas, que até então integravam a coligação governista, decidiram migrar para a candidatura do principal adversário de Jorginho, o deputado federal João Rodrigues (PSD).
Estratégia de chapa puro-sangue
O rompimento foi motivado pela decisão de Jorginho de formar uma chapa "puro-sangue" para o Senado, privilegiando aliados mais próximos do PL em detrimento de antigos parceiros. A composição, que inclui nomes como o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) e a deputada federal Carol de Toni (PL), gerou insatisfação entre emedebistas e progressistas, que se sentiram preteridos na divisão de espaços. Segundo analistas políticos, a jogada de Jorginho visava consolidar o controle do partido sobre as principais vagas legislativas, mas acabou provocando um efeito colateral indesejado.
Reação dos partidos
Em nota conjunta, as direções estaduais do MDB e do PP afirmaram que "a falta de diálogo e a imposição de uma chapa fechada inviabilizaram a continuidade da aliança". Já o governador, em entrevista coletiva, minimizou as perdas: "Toda eleição tem ajustes. Nosso projeto é vitorioso e seguimos firmes com quem está conosco desde o início". A saída dos dois partidos, no entanto, representa um duro golpe na estrutura de campanha, que contava com prefeitos e vereadores dessas legendas em diversas regiões do estado.
Novo cenário eleitoral
Com a adesão de MDB e PP, João Rodrigues (PSD) ganha musculatura política e financeira para enfrentar Jorginho. Pesquisa Datafolha divulgada na última semana mostra o governador com 38% das intenções de voto, contra 29% de Rodrigues, mas a margem de erro de 3 pontos percentuais indica que a diferença está dentro do limite. Além disso, o número de indecisos chega a 18%, o que pode ser decisivo para uma virada. A reconfiguração das alianças também atrai a atenção de forças nacionais: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já sinalizou apoio indireto a Rodrigues, enquanto Jair Bolsonaro intensifica a presença em Santa Catarina para tentar reverter o quadro.
Impactos na base governista
A crise expõe fragilidades na articulação política de Jorginho, que, mesmo à frente nas pesquisas, vê seu palanque encolher. Prefeitos de cidades estratégicas, como Joinville e Florianópolis, que antes orbitavam o governo, agora avaliam migrar para a oposição. O cientista político Ricardo Costa, da UFSC, avalia: "O governador pagou um preço alto por priorizar a fidelidade partidária em detrimento da governabilidade. Se não conseguir recompor pontes rapidamente, pode perder a vantagem que tem hoje". As eleições em Santa Catarina prometem ser uma das mais disputadas do país, com a polarização entre direita e esquerda sendo redefinida a cada movimento.



