WASHINGTON, 16 Jun (Reuters) – À medida que os EUA se aproximam de seu 250º aniversário no próximo mês, dois em cada cinco norte-americanos não acreditam que o país vá perdurar por mais 250 anos a partir daí, de acordo com uma pesquisa da Reuters/Ipsos que destacou profundas divisões sobre a forma como a nação se vê.
Contexto da pesquisa
A pesquisa de quatro dias, concluída na segunda-feira, surge em meio à polarização que o presidente Donald Trump trouxe às comemorações do 4 de julho, data que marcará 250 anos desde que os chamados ‘pais fundadores’ dos EUA declararam sua independência do Reino Unido. Trump se colocou no centro de muitos dos eventos para marcar o aniversário, incluindo a organização de lutas de artes marciais mistas na Casa Branca no último domingo, dia de seu aniversário.
Na segunda-feira, ele afirmou que seria a principal atração em uma comemoração do 4 de julho em Washington, que também servirá como comício político para o republicano, já que seu partido busca manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, em novembro.
Divisões sobre o futuro do país
Cerca de 38% dos entrevistados na pesquisa — incluindo 40% dos democratas e 26% dos republicanos — disseram não acreditar que os EUA ainda existirão como um único país daqui a 250 anos. Apenas 62% acreditam que sua nação vai perdurar. Trump tem apresentado sua presidência como uma tentativa de salvar os Estados Unidos da destruição causada pelos democratas. Líderes democratas afirmam que é Trump quem representa o perigo para a democracia e alegam que ele está usando recursos federais para perseguir críticos políticos.
Democracia em risco
Dois terços dos entrevistados — incluindo 85% dos democratas e 50% dos republicanos — afirmaram concordar com a afirmação de que a democracia norte-americana corre o risco de fracassar. A porcentagem geral dos que veem a democracia em risco aumentou em relação aos 57% registrados em uma pesquisa realizada em agosto do ano passado. O aumento foi impulsionado por um número maior de republicanos preocupados com a sustentabilidade da democracia. Trump vem alegando falsamente, há anos, que sua derrota em 2020 foi resultado de uma fraude eleitoral generalizada e tem pressionado por mudanças nas leis eleitorais.
Cerca de 77% dos entrevistados afirmaram que era provável que a violência política aumentasse nos próximos cinco anos.
Melhor país do mundo?
A pesquisa também mostrou que a porcentagem de norte-americanos que veem o país como um destaque global está em declínio. Cerca de 30% dos entrevistados afirmaram considerar os Estados Unidos o melhor país do mundo, uma queda em relação aos 38% registrados em uma pesquisa da Reuters/Ipsos realizada em novembro de 2017, durante o primeiro mandato de Trump. A porcentagem de democratas com essa opinião caiu de 26% para 11%, enquanto a dos republicanos se manteve estável em cerca de seis em cada dez.
A maioria dos norte-americanos — incluindo três quartos dos democratas e metade dos republicanos — afirmou que achava que os eventos comemorativos do 250º aniversário do país haviam se tornado excessivamente políticos.
Diferenças nas comemorações
Os norte-americanos também estavam divididos em questões mais mundanas, como a forma de comemorar o Dia da Independência. Cerca de 52% dos republicanos afirmaram que suas comemorações incluiriam o uso de roupas nas cores vermelho, branco e azul — as cores da bandeira nacional dos EUA –, em comparação com 20% dos democratas. Os republicanos estavam mais propensos do que os democratas a afirmar que planejavam assistir a um show de fogos de artifício — 46% contra 28%.
A pesquisa, realizada online, reuniu respostas de 1.537 adultos dos EUA em todo o país e seus resultados tiveram uma margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.



