Crise de combustíveis na Rússia provoca filas e preocupa população
Crise de combustíveis na Rússia provoca longas filas

A crise de combustíveis na Rússia tem provocado longas filas diárias nos postos de gasolina, especialmente em Moscou, onde a BBC registrou congestionamentos em praticamente todos os postos visitados. Algumas filas eram longas, outras curtas; algumas mal andavam, enquanto outras avançavam aos poucos. Quando não havia fila, era porque o posto havia ficado sem combustível e estava fechado.

Frustração e resignação entre motoristas

Nas filas, havia mais frustração do que revolta. Yekaterina disse estar "insatisfeita" e que havia "pânico porque todo mundo acha que o combustível vai acabar". Para Elmar, a situação era "muito ruim". Ele reclamou da alta dos preços à medida que os estoques diminuem. "Você perde horas para conseguir abastecer", afirmou. "Estou planejando uma viagem para o Daguestão, mas não sei se devo ir de carro por causa de todos esses problemas com combustível."

Ataques ucranianos a refinarias agravam escassez

Drones e mísseis ucranianos têm atacado refinarias de petróleo na Rússia, incluindo unidades próximas a Moscou. A Rússia, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, enfrenta dificuldades para refinar combustível suficiente para atender à demanda interna. Andrei, que enfrentava a fila pela primeira vez ao lado da esposa Yekaterina, atribuiu a crise à "geopolítica" e reconheceu que a situação pode piorar. "Esperamos que todos os lados comecem a se aproximar e discutam as condições para um acordo de paz", afirmou. "Mas, infelizmente, não vemos isso por parte dos nossos parceiros europeus. Então talvez a situação só piore."

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Racionamento e impacto na economia

As redes sociais estão repletas de imagens de motoristas em filas para abastecer. Em alguns casos, os congestionamentos se estendem por quilômetros. Há também publicações que mostram brigas entre motoristas. Na cidade turística de Anapa, cossacos foram mobilizados para manter a ordem nas filas. O racionamento já é adotado em muitas regiões, e várias delas proibiram o uso de galões para armazenar combustível. Em uma cidade da Sibéria, o prefeito providenciou banheiros químicos para os motoristas que aguardam para abastecer. Em algumas áreas, serviços de ônibus e de coleta de lixo foram reduzidos. Agricultores temem que a crise comprometa a colheita deste verão.

Putin reconhece problema, mas minimiza crise

Putin demonstrou preocupação suficiente para abordar publicamente a escassez de combustíveis na TV estatal. Ele reconheceu que os ataques ucranianos "obviamente estão criando problemas", mas insistiu que a situação "não é crítica". Ainda assim, o governo já começou a aumentar as importações de combustíveis, subsidiar os preços e autorizar a venda de combustíveis de qualidade inferior, que, segundo alguns especialistas, podem danificar os motores.

Queda na aprovação de Putin e pessimismo econômico

A pesquisa mais recente do instituto independente Centro Levada mostra que a aprovação de Putin caiu para cerca de 74%. O levantamento também indica que a parcela dos russos que acredita que o país está no caminho certo recuou de 61%, em maio, para 52%. Na semana passada, o instituto Gallup apontou que os russos estão mais pessimistas em relação à economia do que em qualquer outro momento dos últimos 20 anos. Segundo a pesquisa, 60% dos entrevistados afirmaram que as condições econômicas na região onde vivem estão piorando. Até mesmo o instituto nacional de pesquisas de opinião da Rússia, o Vtsiom, ligado ao governo, indicou que a confiança em Putin caiu 3,4 pontos percentuais em apenas uma semana, para 73%.

Especialistas veem possível "divisor de águas"

Para Christopher Weafer, diretor da consultoria Macro Advisory, a crise dos combustíveis pode representar um "divisor de águas" para o crescimento da economia russa. "Os custos da guerra estão aumentando", afirma Weafer. "Embora o impacto total da crise dos combustíveis só deva aparecer nas estatísticas de julho, a possibilidade de que ela se prolongue reduz significativamente as perspectivas de crescimento para o restante do ano."

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Pressão política sobre Putin é incerta

Nina Khrushcheva, professora de relações internacionais da The New School, em Nova York, disse em entrevista à BBC que é pouco provável que Putin recue. "Quanto mais pressionado ele se sentir, maior a probabilidade de agir de forma agressiva e repressiva", afirmou Khrushcheva. "Acho que a situação é séria, mas a expectativa no Ocidente de que os russos simplesmente derrubem o regime está muito distante da realidade." Para ela, a esperança de governos europeus de que conseguirão forçar Putin a negociar "é uma fantasia, isso simplesmente não acontece".

Putin endurece posição e sinaliza escalada

Na última sexta-feira (3 de julho), Putin apareceu usando uniforme militar durante uma reunião com comandantes, na qual afirmou que as tropas russas estão obtendo vitórias na linha de frente e prometeu conquistar ainda mais território. "As Forças Armadas da Rússia continuam mantendo, com confiança, a iniciativa estratégica na zona da operação militar especial", declarou Putin. Em seguida, Putin orientou seus comandantes a analisar o envolvimento dos aliados europeus da Ucrânia no que chamou de "ações reais de combate", que, segundo ele, estariam prolongando a guerra. "Precisamos dessa análise para tomar decisões responsáveis no futuro", afirmou, sem dar mais detalhes. A declaração chamou a atenção de diplomatas e analistas militares. A pergunta que circula nas capitais ocidentais é: qual será o próximo passo de Putin? Ele vai escalar o conflito? E, em caso afirmativo, de que forma?