Trump intensifica críticas a Netanyahu e sugere ação síria no Líbano
Trump critica Netanyahu e sugere Síria contra Hezbollah

O clima entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu atingiu um novo ponto crítico nesta terça-feira (16). O presidente americano sugeriu que o novo regime sunita da Síria, liderado por Ahmed al-Sharaa, poderia "dar um jeito no Hezbollah" de forma mais responsável do que Israel vem fazendo no Líbano. "Você não precisa demolir um prédio de apartamentos toda vez que estiver procurando por alguém", afirmou Trump. "Se Israel não conseguir fazer o trabalho sem matar todos os outros, ele (al-Sharaa) fará o trabalho."

Proposta polêmica e isolamento de Netanyahu

A proposta de Trump para a intervenção síria no Líbano é considerada irreal, embora ele tenha se aproximado do presidente sírio, um ex-jihadista sunita. A declaração equivale a um novo golpe em Netanyahu, que nas últimas semanas ouviu insultos e palavrões do presidente americano. Trump, inclusive, fez questão de vazar essas críticas, insatisfeito com a ofensiva crescente de Israel no Líbano, que dificultava um acordo com o Irã.

A urgência de Trump em encerrar a guerra atropelou Netanyahu, que, a cinco meses das eleições, sai isolado e como perdedor no confronto com o Irã, sem alcançar seus objetivos de eliminar o programa nuclear e mudar o regime. O premiê perde também internamente, após fracassar na promessa de que a guerra traria paz aos israelenses.

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Reações e consequências políticas

O variado espectro político de Israel, incluindo aliados do primeiro-ministro, reagiu mal ao anúncio do acordo entre EUA e Irã, firmado à revelia e sem a participação de Netanyahu. Ele convenceu Trump a entrar na guerra, mas foi deixado de fora na hora de sair dela, sem sequer ter acesso aos termos do acordo. Ainda assim, parece disposto a resistir em manter suas tropas no Sul do Líbano.

No entender do colunista Amos Harel, especialista em assuntos militares do jornal Haaretz, o confronto com o Irã se configurou como o segundo pior fiasco na longa carreira do premiê, atrás do massacre do Hamas em 7 de outubro de 2023. "Encerrar a guerra nesses termos não é uma boa notícia para nenhum israelense porque o Irã parece ter saído do conflito ainda mais forte e determinado", escreveu o colunista.

Objetivos e custos do acordo

Os objetivos iniciais de Trump em relação ao Irã foram relegados e converteram-se numa meta primordial: a reabertura do Estreito de Ormuz. Embora os termos do acordo ainda não estejam claros, os custos políticos podem ser altos para o atual governo. O programa nuclear não foi desmantelado e os fundos congelados à República Islâmica devem ser liberados. Mais uma vez, fica a sensação de looping no ciclo de tensões com o Irã.

A guerra serviu para minar o número de aliados de Netanyahu nos EUA, assim como a influência que ele exercia sobre o presidente americano. O premiê israelense sabia manobrar a bajulação a Trump e chegou a indicá-lo para o Prêmio Nobel da Paz. Como recíproca, era chamado de herói e tinha no presidente um defensor do indulto a seus imbróglios na Justiça por corrupção.

Relação deteriorada

Embora publicamente neguem a ruptura, ambos caminham a passos largos para uma relação, no mínimo, deteriorada, a despeito da preservação de interesses mútuos entre os dois países. Netanyahu agora é tachado de maluco, complicado e sem um pingo de bom senso, para citar os adjetivos mais amenos proferidos por Trump. O apoio a Israel despencou nos EUA. Dificilmente, o premiê terá argumentos plausíveis para convencer o presidente americano a embarcar em outra empreitada militar.

Decretar, contudo, a humilhação pública de Netanyahu ao fim de sua longeva carreira política em Israel é sempre prematuro. O vago teor do memorando de entendimentos entre EUA e Irã pode dar a ele mais uma chance de sobrevivência.

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