O líder do movimento houthi do Iêmen ameaçou atacar instalações petrolíferas da Arábia Saudita caso haja uma escalada no conflito iemenita. A declaração foi feita após o grupo acusar o reino de bombardear, na segunda-feira, um aeroporto sob seu controle, rompendo uma trégua de quatro anos entre as duas partes.
Ameaça direta às instalações petrolíferas sauditas
Em discurso transmitido pela televisão, o líder houthi afirmou que, se a Arábia Saudita continuar com os ataques, suas forças mirarão as infraestruturas petrolíferas do reino. "Não hesitaremos em atacar as instalações petrolíferas sauditas se a escalada continuar", declarou, segundo a agência de notícias Reuters.
Acusação de bombardeio a aeroporto
Os houthis acusaram a Arábia Saudita de realizar um bombardeio contra o aeroporto de Sanaa, capital do Iêmen, que está sob controle do grupo desde 2014. O ataque, ocorrido na segunda-feira, teria causado danos materiais, embora não haja relatos de vítimas. O movimento considera o bombardeio uma violação do cessar-fogo que vigorava desde 2022.
Contexto da trégua de quatro anos
A trégua entre os houthis e a coalizão liderada pela Arábia Saudita foi mediada pela ONU e entrou em vigor em abril de 2022. Durante esse período, os combates em larga escala cessaram, embora violações pontuais tenham sido registradas. O bombardeio ao aeroporto de Sanaa é a mais grave acusação de quebra do acordo desde o início da trégua.
Impacto na região e no mercado de petróleo
A ameaça houthi às instalações petrolíferas sauditas reacende os temores de uma nova escalada no conflito iemenita, que já dura mais de uma década. A Arábia Saudita é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, e qualquer ataque a suas infraestruturas pode impactar os preços globais do barril. Analistas apontam que a região do Oriente Médio continua volátil, especialmente com as tensões entre Irã e Estados Unidos.
Reação internacional
Até o momento, a Arábia Saudita não comentou oficialmente as acusações dos houthis. A ONU, por meio de seu enviado especial para o Iêmen, pediu moderação a ambas as partes e alertou para o risco de um colapso do cessar-fogo. O governo iemenita reconhecido internacionalmente, que combate os houthis com apoio saudita, também não se pronunciou.
Histórico do conflito
O conflito no Iêmen começou em 2014, quando os houthis, apoiados pelo Irã, tomaram a capital Sanaa. Em 2015, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio militarmente para restaurar o governo reconhecido. Desde então, o país enfrenta uma grave crise humanitária, com milhões de pessoas deslocadas e em situação de fome.



