O Irã intensificou seu controle sobre o Estreito de Ormuz ao declarar que todas as embarcações que desejarem cruzar a região precisarão de autorização prévia. O país também sinalizou a possibilidade de cobrar taxas no futuro, sob a forma de um seguro obrigatório para a travessia.
Novas regras para navegação
De acordo com documento publicado no site da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), todas as embarcações que passarem pelo estreito deverão contratar uma apólice de seguro obrigatória. Por enquanto, esse seguro é gratuito, mas o Irã se reserva o direito de introduzir taxas futuramente. O texto também determina que os navios sigam uma rota específica, próxima à costa iraniana, e proíbe caminhos alternativos.
Reações internacionais
Forças navais ocidentais recomendaram que os navios utilizem uma rota alternativa pela costa de Omã, indicando que outras opções permanecem disponíveis. Isso ocorre enquanto uma área no meio do estreito passa por desminagem. O tráfego de petróleo, que havia aumentado após o acordo interino de paz entre EUA e Irã, diminuiu significativamente na sexta-feira. A Marinha do Paquistão informou ter identificado uma mina perto da costa de Omã, elevando os riscos para rotas fora do controle iraniano.
Preocupações do setor
Armadores e produtores de petróleo estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de o Irã cobrar pedágio pela travessia. O memorando de entendimento assinado com os EUA prevê passagem gratuita apenas durante os 60 dias de vigência do acordo. O setor busca orientações sobre como funcionarão as travessias após o acordo de paz e como a região será limpa de minas.
Pressão sobre os EUA
Aliados dos Estados Unidos, liderados pelo Reino Unido, pressionam o governo de Donald Trump para que não aceite nem normalize uma eventual cobrança iraniana. Uma autoridade graduada afirmou que a imposição de taxas contraria o direito marítimo internacional e abriria um precedente perigoso, que poderia ser replicado em outras rotas estratégicas do mundo.
Impacto no fluxo de petróleo
Os fluxos visíveis de petróleo pela hidrovia desaceleraram fortemente na sexta-feira. Embora um superpetroleiro tenha sido avistado perto de Mascate, em Omã, indicando que deixou o Golfo Pérsico, não houve outros embarques detectáveis pelos transponders. Milhões de barris vêm sendo transportados pela rota sul, perto de Omã, muitas vezes com os transponders desligados, sugerindo que o volume real pode ser maior do que o aparente.
Movimentação de petróleo iraniano
Desde o acordo de paz, o Irã conseguiu movimentar milhões de barris que estavam sob bloqueio dos EUA em um porto fora do Golfo Pérsico. Petroleiros com capacidade para transportar ao menos 20 milhões de barris foram vistos deixando o porto iraniano de Chabahar, no Golfo de Omã. Antes do bloqueio americano, os embarques de Teerã haviam sido praticamente interrompidos.
Riscos e incertezas
A PGSA, criada pelo Irã durante a guerra, é sancionada pelos EUA e rejeitada por países vizinhos, que orientam armadores a não manter contato com a entidade. O documento iraniano não deve acalmar os donos de embarcações, que já exigem mais clareza sobre o tráfego no estreito. A demanda por petroleiros para carregar petróleo em portos do Golfo Pérsico foi muito limitada, segundo corretores marítimos e proprietários de navios.
Procedimentos de passagem
Segundo o texto, os navios precisam solicitar à PGSA uma autorização de passagem. O órgão publicou um mapa com as rotas consideradas seguras pelo Irã. Na quinta-feira, forças navais ocidentais divulgaram coordenadas da rota recomendada para a travessia de Ormuz e informaram que mapas com as posições mais recentes das minas podem ser fornecidos mediante solicitação.



