Mais dias de volatilidade marcam o desempenho das ações da Braskem (BRKM5) na Bolsa brasileira. Depois de registrar um dos maiores saltos do mês passado no Ibovespa, os papéis da petroquímica enfrentam dificuldades nas últimas sessões, atingindo as mínimas do ano nos pregões recentes. Em maio, a ação subiu mais de 10%, sendo a sexta maior alta do índice no período. No dia 12 de maio, as ações saltaram 29% após o JPMorgan elevar a recomendação para overweight, refletindo melhora dos fundamentos de mercado, oferta mais restrita e fortalecimento da governança corporativa após a reestruturação societária.
O JPMorgan também avaliou que a Braskem deve ser beneficiada pelos avanços no marco de apoio à indústria química brasileira, que visa melhorar a competitividade dos produtores locais diante do excesso de oferta global e da pressão de importações. Além disso, operadores destacaram um movimento de short squeeze, com alta taxa de aluguel das ações na B3, sugerindo cobertura de posições vendidas após a alta com a elevação de recomendação.
Resultados do primeiro trimestre
A companhia divulgou seus resultados em maio. O maior grupo petroquímico da América Latina teve lucro líquido de R$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre, mais que dobrando (+107%) o resultado positivo de R$ 698 milhões do mesmo período do ano anterior. Na visão do Bradesco BBI, o 1º trimestre de 2026 foi um trimestre de recuperação, apesar de ainda ficar aquém das estimativas. O Ebitda recorrente da Braskem no 1º trimestre de 2026, de US$ 192 milhões, ficou abaixo tanto da estimativa de US$ 229 milhões quanto do consenso da Bloomberg de US$ 251 milhões, embora a recuperação sequencial de 76% em relação ao trimestre anterior tenha sido significativa, mesmo que o nível absoluto permaneça bem abaixo dos US$ 224 milhões do 1º trimestre de 2025.
Para o BBI, apesar do resultado abaixo das expectativas, a projeção é de forte melhora no Ebitda no segundo trimestre de 2026, à medida que a Braskem se beneficia do aumento significativo nos spreads provocado pela guerra com o Irã.
Mudança de controle e reestruturação
No começo de junho, a gestora IG4 Capital recebeu aprovação final para assumir a participação de 50,1% da Novonor na petroquímica. No entanto, começaram a surgir notícias de que a gestora buscava alternativas para reestruturação, mas obstáculos apareceram, o que pesou sobre as ações. Desdobramentos sobre o desastre socioambiental em Alagoas envolvendo a empresa também afetam os ativos. Apenas em junho, as ações são destaque de queda do Ibovespa, com baixa de quase 30%; só nesta semana, os papéis caíram cerca de 21%.
Na quinta-feira, BRKM5 chegou a desabar quase 12%, renovando a mínima do ano a R$ 7,40, em meio ao noticiário recente. Analistas do UBS BB chamaram a atenção para a situação desafiadora de liquidez de curto prazo enfrentada pela petroquímica, que deve continuar gerando volatilidade na ação, apesar de um cenário de spreads mais favorável.
A Braskem e o IG4 Capital estão tendo dificuldades para obter apoio de credores suficientes para avançar com uma proposta de reestruturação extrajudicial, de acordo com reportagem da Bloomberg. Os credores resistem aos planos apresentados porque resultariam em tratamento desigual dentro da estrutura de capital, com preocupações sobre as garantias oferecidas e a ausência de opção de conversão de dívida em capital.
Fontes ouvidas pela revista Veja afirmaram que a companhia descartava uma recuperação judicial e buscaria um acordo. “De modo geral, entendemos que o caminho da empresa para uma solução de liquidez permanece incerto e pode incluir risco de diluição para acionistas minoritários”, afirmaram analistas do UBS BB. “Embora consideremos que a empresa possa superar esses desafios e alcançar uma perspectiva mais construtiva no médio e longo prazo, as incertezas ao longo desse caminho sustentam nossa recomendação neutra”, acrescentaram.
Assembleia de acionistas da Braskem no começo do mês aprovou mudança no estatuto, permitindo que o conselho de administração decida sobre requerimento de recuperação extrajudicial, bem como, em caso de urgência, a confissão de falência ou pedido de recuperação judicial. Em paralelo, a Justiça Federal em Alagoas tornou a petroquímica e ex-dirigentes réus em processo que apura responsabilidades pelo desastre socioambiental causado pela exploração de sal-gema em Maceió, notícia que analistas veem com potencial de aumentar ainda mais as preocupações com riscos legais e reputacionais da Braskem.



