O governo iraniano declarou nesta segunda-feira que mantém o controle total do Estreito de Ormuz e que não pretende retomar as negociações de paz com os Estados Unidos. A declaração ocorre depois que o presidente americano, Donald Trump, suspendeu uma campanha de bombardeios de duas semanas contra o Irã, que, segundo seus altos comandantes, já havia cumprido seus objetivos militares.
Suspensão dos bombardeios e reação iraniana
Após 13 noites consecutivas de ataques aéreos crescentes, que levaram Teerã a disparar mísseis contra bases americanas na região, Trump ordenou a pausa no fim de semana. O Irã respondeu suspendendo seus próprios ataques enquanto durar a trégua dos EUA. A decisão de Trump baseou-se na recomendação de seus comandantes de que os bombardeios, focados em quebrar o domínio iraniano sobre o estreito, haviam atingido o limite operacional, segundo uma autoridade americana e reportagens dos principais veículos dos EUA.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, expressou preocupação com o esgotamento das armas de defesa aérea usadas para proteger bases americanas, conforme a autoridade, que falou à Reuters sob condição de anonimato. Relatos semelhantes foram publicados pelo New York Times, CNN e Axios.
Posição iraniana e impacto no petróleo
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou em entrevista coletiva televisionada que o Irã não solicitou a retomada das negociações de paz com os EUA. Enquanto isso, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, havia dito no domingo que a suspensão visava abrir espaço para diálogo.
A pausa nos bombardeios derrubou os preços do petróleo. O barril do Brent, que na semana passada ultrapassou US$ 100 pela primeira vez desde maio, caiu cerca de 7,8% nesta segunda-feira, para pouco abaixo de US$ 90. A expectativa é de que o fornecimento global, interrompido pela crise, possa ser retomado.
Controle do estreito e incidentes navais
A mídia estatal iraniana, citando uma fonte bem informada, divulgou que o Irã fez seis navios considerados infratores voltarem ao tentar atravessar o estreito sem permissão, sendo que um deles sofreu um acidente. A nota afirma: “Conforme anunciado anteriormente, a rota de tráfego no Estreito de Ormuz é a rota especificada pelo Irã, e outras rotas estão bloqueadas e não têm saída”.
A campanha de bombardeios foi lançada por Trump após o Irã disparar contra navios que usavam uma rota promovida pelos EUA, próxima à costa de Omã. O Irã insiste que as embarcações devem passar por um canal controlado por ele, onde pretende cobrar taxas de trânsito.
Baixas e ameaças houthis
Os 13 dias de ataques mataram dezenas de pessoas no Irã e destruíram pontes, túneis e alvos militares no sul do país. Em resposta, o Irã matou quatro militares americanos em bases na região e atingiu infraestrutura civil em países do Golfo, como retaliação por supostos ataques dos EUA contra civis.
Na semana passada, os houthis, aliados do Irã, ameaçaram estender a interrupção do fluxo de petróleo ao Mar Vermelho, bloqueando a indústria petrolífera da Arábia Saudita, o que elevou ainda mais os preços.
Perspectivas de negociação e diplomacia regional
A suspensão da campanha não indica claramente que tipo de pressão Washington pode usar para atingir o objetivo de Trump: quebrar o domínio iraniano sobre o estreito. Em junho, EUA e Irã chegaram a um acordo para negociações até o final de agosto, que abordariam temas como o programa nuclear iraniano, mas divergem sobre a interpretação de cláusulas relativas ao estreito.
O Irã busca formalizar seu controle por meio de um acordo com Omã, que controla a margem oposta. Uma delegação de alto escalão de Omã esteve em Teerã no fim de semana. Os ministros das Relações Exteriores do Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita conversaram por telefone com o chanceler de Omã, Badr Albusaidi, sobre o tema, segundo mídias estatais desses países.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que iniciou a guerra em fevereiro ao lado de Trump, mas não participou das negociações de encerramento, deve se reunir com o presidente americano em Washington no início desta semana.



