O Irã executou nesta terça-feira dois homens por seu envolvimento nos protestos antigovernamentais de janeiro, em meio a uma onda de sentenças de morte que grupos de direitos humanos consideram sistemática. As execuções ocorrem enquanto os Estados Unidos pausaram os ataques ao país por falta de mísseis, segundo reportagem de um jornal.
Execuções em Isfahan
Abolfazl Sepahi-Badjani e Amirhossein Safari-Hosseinabadi foram acusados de participar do assassinato de quatro membros das forças de segurança na Praça Alikhani, em Isfahan, em 8 de janeiro, informou o Mizan, veículo de notícias do Poder Judiciário iraniano. A agência semioficial Mehr noticiou que as execuções foram realizadas na mesma praça, "na presença de um grupo de pessoas". Grupos de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional e a Iran Human Rights, confirmaram que as execuções foram públicas.
Crescente número de execuções
Um painel de especialistas da Organização das Nações Unidas afirmou em comunicado na segunda-feira que pelo menos 24 pessoas foram executadas por crimes relacionados aos protestos de janeiro. A Human Rights Watch informou esta semana que ao menos 50 pessoas foram executadas nos últimos quatro meses sob acusações vagas de segurança nacional. Os especialistas da ONU destacaram que 12 dos condenados pelo caso da Praça Alikhani receberam sentenças de morte em uma única audiência fechada, sem clareza sobre a responsabilidade individual, violando padrões de julgamento justo.
Guerra e pressão internacional
As execuções ocorrem no contexto de cinco meses de guerra entre Irã e forças dos EUA e Israel, que começou em 28 de fevereiro com ataques que mataram o aiatolá Ali Khamenei. Uma trégua em junho foi rompida com uma campanha aérea de duas semanas, que o presidente Donald Trump suspendeu no sábado. Trump advertiu que os ataques seriam retomados caso as negociações não avancem. A pausa nos ataques, segundo o jornal, deve-se à escassez de mísseis nos estoques americanos.
O embaixador do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, esteve no centro das discussões sobre o Estreito de Ormuz, que o Irã ameaça fechar para pressionar adversários. A missão iraniana em Genebra não comentou as acusações de abusos. Teerã nega violações de direitos humanos e alerta contra qualquer retomada de agitação, proclamando união nacional.



