Em meio a polêmicas sobre a entrada de jogadores e membros da comissão técnica nos Estados Unidos durante a Copa do Mundo, o Irã também pode ser alvo de protestos focados especialmente no jogo contra o Egito em 27 de junho. Informações da Reuters indicam que torcedores planejam levar bandeiras LGBT+ ao estádio, e o país respondeu, sem citá-las diretamente.
De acordo com a agência e relatos na mídia iraniana, o ministro do Esporte e da Juventude local, Ahmad Donyamali, garantiu que, se os itens, tratados no manifesto como “materiais não oficiais” forem levados ao estádio, o técnico Amir Ghalenoei terá “obrigação” de interromper a partida. O foco no duelo pela terceira rodada do Grupo G é por conta da cidade em que será disputado.
“Partida do Orgulho”
O evento em Seattle foi definido pelos organizadores locais como uma “Partida do Orgulho”, pois coincide com o fim de semana do Orgulho LGBT+ da cidade. Por conta disso, associações de futebol do Irã e do Egito já haviam solicitado a Fifa para que prevenisse quaisquer atividades relacionadas à causa durante o jogo.
Na esteira do evento, a mídia iraniana, conforme divulgado pela Reuters, revelou que Donyamali fez a seguinte determinação: “Se bandeiras não oficiais forem trazidas ou slogans contra a seleção nacional forem entoados nos estádios onde o Irã joga na Copa do Mundo, o técnico será definitivamente responsável por interromper a partida”, disse. Ainda, deu a entender de que a Fifa garantiu que não haverá protestos do tipo nas arquibancadas do estádio Lumen Field. “Tivemos a garantia de que nenhum incidente perturbador ocorrerá no estádio durante a partida contra o Egito”, disse o ministro.
Contexto das leis no Irã e Egito
O Irã é uma das nações com as leis mais severas contra a população LGBT+. A prática homossexual é considerada crime capital e é assertivamente proibido em seu território. O Egito também tem jurisdições restritivas à comunidade. Em dezembro de 2025, os dois países protestaram formalmente contra a designação do confronto entre eles como “Jogo do Orgulho”, de acordo com o veículo Iran International. Em entrevista à TV estatal, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, disse que isso era uma “conduta irracional que apoia um grupo específico”.
A Federação Egípcia de Futebol, por sua vez, enviou uma carta ao Secretário-Geral da Fifa, Mattias Grafstrom, afirmando que rejeita “iniciativas relacionadas ao apoio à homossexualidade” durante o jogo.
Resposta dos organizadores
Os organizadores do jogo pela Copa do Mundo em Seattle responderam à época e disseram que a programação do Orgulho LGBT+ no fim de semana não era direcionada a nenhum país participante da competição. A membro do comitê Hanna Tadesse disse à agência de notícias alemã DPA que o evento já é “parte integrante” da cidade.



