Os Estados Unidos acreditam que haja uma disputa de poder se desenrolando em tempo real no Irã entre os líderes linha-dura e os pragmáticos, segundo autoridades norte-americanas na sexta-feira (10). O Irã informou a Washington que os recentes ataques à navegação no Estreito de Ormuz foram causados por 'uma parte desorientada de seu sistema', disse uma autoridade sênior a um pequeno grupo de repórteres durante uma teleconferência.
Exigências dos EUA
Os Estados Unidos estão exigindo que o Irã declare publicamente que cessará os ataques a navios no Estreito de Ormuz e que todas as vias do estreito fiquem abertas à navegação sem cobrança de pedágio. 'O que estamos exigindo é que os iranianos emitam uma declaração pública reconhecendo que todas as vias do Estreito de Ormuz estão abertas e que não estão mais atirando em navios. Ou eles nos fornecem essa declaração, ou não teremos um desfecho favorável para eles', disse uma das autoridades norte-americanas.
Ataques e resposta militar
Três navios foram atacados nesta semana, levando o presidente dos EUA, Donald Trump, a responder com ataques norte-americanos contra alvos iranianos. Ele declarou que o cessar-fogo assinado pelas duas partes em junho acabou.
Disputa pelo controle do Estreito de Ormuz
A mais recente troca de ataques entre EUA e Irã tem como cenário uma disputa que vai além dos bombardeios: quem exerce, na prática, o controle sobre o Estreito de Ormuz. A rota marítima é uma das mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás. O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área.
Embora o Irã não seja o proprietário da via marítima, ele controla a costa norte do estreito, além de diversas ilhas e posições militares. Isso permite ao país monitorar praticamente todo o tráfego de embarcações da região. Nos últimos anos, o Irã transformou essa posição geográfica em um instrumento de pressão política e militar. Após o início da guerra, o país fechou o estreito para obter vantagem na mesa de negociações. Atualmente, o governo do Irã defende que o mundo reconheça a soberania do país sobre a rota marítima.
Ausência de Mojtaba Khamenei
A ausência do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, das cerimônias fúnebres do pai Ali Khamenei levantou questionamentos sobre sua saúde e sobre o medo de um assassinato, além de indicar que ele pode exercer uma função bastante diferente em comparação com seu pai todo-poderoso. Entre os presentes estavam o presidente do parlamento e principal negociador nas conversas com os Estados Unidos, Mohammad Bagher Ghalibaf, o poderoso chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e o filho mais velho de Ali Khamenei, Mostafa Khamenei. Mas não houve nenhum sinal de Mojtaba Khamenei, que foi nomeado líder supremo logo após o assassinato de seu pai e que, desde então, só se comunicou por meio de declarações escritas, sem nenhuma aparição pública.
Ferimentos e riscos de segurança
Alçado ao poder com o apoio da poderosa Guarda Revolucionária, Mojtaba sofreu uma desfiguração facial e outros ferimentos no ataque, segundo fontes de alto escalão do governo iraniano ouvidas pela agência Reuters. Elas afirmam que ele tem tomado decisões, mas ainda não recuperou a saúde de forma suficiente para aparecer em público. Os riscos de segurança também são substanciais, visto o assassinato de seu pai no ataque inicial dos EUA e de Israel contra o Irã. Embora a Guarda Revolucionária pareça manter as rédeas firmes do país por enquanto, não está claro por quanto tempo o líder de um Estado teocrático pode permanecer fora de vista.
'Como fazer uma sucessão carismática quando o sucessor não está presente? Isso vai ser um problema para eles, mesmo que consigam contornar a situação por enquanto. Não é sustentável a longo prazo', disse Ali Ansari, professor de história moderna na Universidade de St Andrews, na Escócia, em entrevista à Reuters.



