Conflito no Oriente Médio e crise agrícola reduzem demanda por fertilizantes
Crise no agro e conflito reduzem demanda por fertilizantes

O mercado global de fertilizantes enfrenta uma queda significativa na demanda, puxada pela combinação de tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela crise no setor agrícola brasileiro. Dados da Associação Internacional de Fertilizantes (IFA) indicam que as vendas mundiais recuaram 12% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Impacto do conflito no Oriente Médio

O conflito entre Israel e Hamas, que se intensificou nos últimos meses, afetou as rotas de navegação no Mar Vermelho e no Canal de Suez, encarecendo o frete e atrasando entregas. A Rússia, maior exportadora de potássio e ureia, também enfrenta sanções que limitam o comércio. Segundo Pedro Almeida, analista do setor de fertilizantes, "a instabilidade no Oriente Médio gerou incertezas que levaram os compradores a adiar decisões de importação".

Crise agrícola no Brasil reduz consumo

No Brasil, principal consumidor de fertilizantes do mundo, a seca intensa e a alta dos juros reduziram a renda dos agricultores, que optaram por diminuir a aplicação de nutrientes. A área plantada de soja e milho encolheu 5% nesta safra, segundo a Conab. "O produtor rural está cauteloso e priorizando insumos básicos", afirma Maria Santos, presidente do Sindicato dos Agricultores de Mato Grosso.

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Perspectivas e preços

Com a demanda menor, os preços internacionais dos fertilizantes caíram cerca de 20% desde janeiro. A ureia, por exemplo, passou de US$ 600 para US$ 480 por tonelada. Entretanto, a recuperação depende da estabilização no Oriente Médio e da volta da normalidade climática no Brasil. Especialistas preveem que o mercado só deve se recuperar a partir de 2027.

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