Chefe da AIEA garante inspeções nucleares no Irã apesar de negativas
AIEA garante inspeções nucleares no Irã apesar de negativas

Chefe da AIEA confirma que inspeções nucleares no Irã ocorrerão

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, declarou nesta quarta-feira (24) que as inspeções em instalações nucleares iranianas "vão acontecer". A afirmação foi feita a jornalistas durante uma visita ao Japão, em meio a um impasse diplomático entre Estados Unidos e Irã sobre o tema.

"Se isso vai acontecer hoje, depois de amanhã, em uma semana ou em 10 dias, é importante, mas não essencial. Isso vai acontecer", disse Grossi, reforçando a determinação do órgão em realizar as vistorias.

Irã nega acordo e Trump reage com ameaças

Na terça-feira (23), o Irã negou ter aceitado vistorias a suas instalações nucleares como parte das negociações com os Estados Unidos, previstas no acordo firmado entre os dois países. O presidente dos EUA, Donald Trump, rebateu a negativa e insistiu que os negociadores iranianos concordaram com as inspeções durante a primeira rodada de negociações pós-acordo, realizada no fim de semana na Suíça.

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Trump ameaçou encerrar as tratativas, pondo fim ao acordo de paz. "Se eles não concordassem com isso, não haveria mais negociações!", escreveu em sua rede social Truth Social. O presidente norte-americano também afirmou que só aceitou levantar o bloqueio naval no Estreito de Ormuz porque os iranianos teriam aceitado as vistorias nucleares. "Baseado nessa e em outras grandes concessões feitas pelo Irã, eu concordei em permitir que o Estreito de Ormuz siga aberto, sem novos bloqueios navais".

Porta-voz iraniano contrapõe versão americana

O Ministério das Relações Exteriores iraniano, por meio do porta-voz Esmaeil Baghaei, negou que tenha havido qualquer reunião com a AIEA na Suíça ou que o país planeje permitir inspeções em suas instalações nucleares danificadas pela guerra contra os EUA. Baghaei afirmou que não existe protocolo para esse tipo de inspeção e que o Irã continuará cumprindo suas obrigações atuais como membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear e sob seu acordo de salvaguardas com a AIEA.

Segundo Baghaei, os negociadores estão tentando alinhar todas as outras questões e cláusulas entre EUA e Irã antes de começar a negociar a questão nuclear. Ele também enfatizou que as capacidades defensivas e o programa de mísseis de Teerã não serão objeto de negociações com ninguém.

Declarações contraditórias marcam o pós-guerra

A fala de Baghaei contradiz diretamente as declarações de Trump e do vice-presidente J.D. Vance na segunda-feira (22). Trump afirmou que "todos estão plenamente cientes de que o Irã permitirá grandes inspeções de armamentos atômicos", enquanto Vance disse que Teerã concordou com visitas de inspetores da AIEA às suas instalações nucleares.

Na segunda-feira, o governo iraniano já havia declarado que não concordou com nada sobre seu programa nuclear durante a primeira rodada de negociações na Suíça, após a assinatura do acordo de paz na guerra entre EUA e Irã.

Questão nuclear permanece como ponto crítico

A questão nuclear continua sendo uma das mais delicadas entre EUA e Irã no período pós-guerra, tanto em relação à diluição do material radioativo em poder de Teerã quanto às inspeções nas usinas iranianas. Ambos os países se comprometeram a resolver esse problema e outros — como a reabertura do Estreito de Ormuz — em até 60 dias, por meio de múltiplas rodadas de negociações com a ajuda de mediadores.

Irã considera ataques de Israel no Líbano como 'linha vermelha'

O embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahreini, afirmou na terça-feira que o Irã considera uma "linha vermelha" qualquer novo ataque de Israel no Líbano, no contexto da guerra entre Israel e o grupo Hezbollah. Ainda na terça, duas pessoas morreram no sul do Líbano por disparos de tropas israelenses, segundo a Defesa Civil e a mídia estatal libanesas — as primeiras mortes no país atribuídas a Israel nos últimos três dias.

Após o ataque, Bahreini declarou que "qualquer violação na trégua no Líbano criará obstáculos nas negociações por uma paz definitiva".

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