El Niño mais forte deve agravar seca e calor extremo no Acre
El Niño mais forte deve agravar seca e calor extremo no AC

O fenômeno El Niño deve ser mais forte que o anterior e pode agravar a seca e o calor extremo no Acre, segundo especialistas. Em Rio Branco, junho registrou apenas dois dias de chuvas concentradas, que somaram 106 milímetros — volume 169% acima da média histórica de 39,4 milímetros. No entanto, a Defesa Civil alerta que o cenário é crítico e pode piorar.

Chuvas concentradas mascaram realidade da estiagem

O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que as precipitações ocorreram nos dias 9 e 10 de junho, com 70,20 mm e 33,60 mm, respectivamente. "Se não tivesse ocorrido essa chuva concentrada nesses dois dias, teríamos em torno de 3 milímetros de chuva no mês todo. Tirando esses dias, praticamente não choveu mais. É por isso que estamos nessa situação crítica e ela pode agravar mais daqui para frente", detalhou.

Apesar do volume acima da média, o efeito sobre o Rio Acre foi limitado. A expectativa era que o nível atingisse 2 metros no fim de junho, mas fechou em 2,61 metros. "Teve um efeito. O rio não está tão baixo quanto era esperado, mas essa chuva foi muito concentrada. Então, ela não melhorou significativamente o cenário", complementou Falcão.

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El Niño deve se intensificar a partir de agosto

Com a influência do El Niño, estimativas apontam calor intensificado no Acre. Pesquisadores afirmam que o fenômeno ganhará força a partir de agosto e pode se desenvolver com forte intensidade até o final de 2026, trazendo impactos significativos para o estado. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando ventos e correntes marítimas e modificando a distribuição de temperaturas no planeta.

O cientista ambiental da Universidade Federal do Acre (Ufac), Irving Foster Brown, afirma que o principal impacto na região deve ser sentido com ondas de calor e picos de temperatura elevada anormais, principalmente a partir de setembro. "Um dos principais sinais da formação do fenômeno já está sendo observado: a atmosfera aqui na região central do Oceano Pacífico está com temperaturas elevadas em comparação à sua tendência natural", explica.

Experiência recente com El Niño ainda está viva

A população acreana ainda se recorda dos efeitos do El Niño de 2023/2024, considerado o mais intenso em 70 anos. Em setembro de 2023, o Rio Acre atingiu a menor cota já registrada: 1,23 metro. O estado enfrentou períodos prolongados de estiagem, temperaturas elevadas e mortalidade de peixes. "Temos a experiência do El Niño de 2023/2024, com períodos de baixíssimas chuvas, níveis dos rios extremamente baixos, pouca água, mortalidade de peixes e temperaturas elevadas. Então, os estudos indicam que este seria mais forte do que o El Niño anterior", acrescenta Brown.

A Defesa Civil Municipal já se prepara para o agravamento do cenário. "Estamos entrando no trimestre mais complicado. Julho, agosto e setembro são os meses mais críticos em relação às chuvas e a tendência é que os efeitos do El Niño se intensifiquem. Por isso, já estamos preparados e prevendo um agravamento do cenário", destacou Falcão.

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