Os bancos multilaterais de desenvolvimento bateram um recorde histórico de financiamento climático em 2025, com US$ 162,5 bilhões destinados a ações contra a mudança do clima, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira. O montante representa um aumento de 12% em relação ao ano anterior e supera a meta de US$ 150 bilhões estabelecida na COP29.
Recorde de financiamento e incertezas no Banco Mundial
As instituições afirmam estar no caminho para cumprir as metas da COP29, que prevêem triplicar os investimentos em energias renováveis e adaptação até 2030. No entanto, a recente decisão do Banco Mundial de abandonar seu objetivo climático explícito gerou dúvidas entre analistas e ambientalistas sobre a continuidade do ritmo de expansão dos recursos verdes.
“O recorde é um sinal positivo, mas a mudança de direção do Banco Mundial pode comprometer o avanço necessário”, disse Maria Silva, especialista em finanças climáticas do Instituto de Estudos Verdes. “Precisamos de mais transparência e compromisso de longo prazo.”
Distribuição dos recursos e impacto
Do total, US$ 98 bilhões foram destinados a projetos de mitigação, como energia solar e eólica, e US$ 64,5 bilhões para adaptação, incluindo infraestrutura resiliente e agricultura sustentável. A maior parte dos investimentos ocorreu na Ásia e na África, regiões mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.
Apesar do recorde, organizações não governamentais alertam que o valor ainda é insuficiente para limitar o aquecimento global a 1,5°C. “Os bancos multilaterais precisam dobrar seus esforços e eliminar gradualmente o financiamento a combustíveis fósseis”, afirmou João Pereira, coordenador da Campanha pelo Clima.
Perspectivas futuras
O relatório destaca que, sem a participação ativa do Banco Mundial, o financiamento climático pode perder força. A instituição, que responde por cerca de 30% dos desembolsos dos bancos multilaterais, revisou sua estratégia para priorizar o crescimento econômico, o que pode reduzir a alocação de recursos para o clima.
“A incerteza gerada pela mudança no Banco Mundial pode desacelerar o ritmo de expansão dos recursos verdes”, conclui o documento. A expectativa é que os próximos anos sejam cruciais para definir se o recorde de 2025 será um ponto de virada ou apenas um pico isolado.



