Maranhense morto na Ucrânia: mãe quer resgate do corpo
Maranhense morto na Ucrânia: mãe quer resgate do corpo

O maranhense Mateus Sandyel da Costa Campos, de 24 anos, natural de Açailândia, na Região Tocantina do Maranhão, morreu na sexta-feira (31) durante um combate na guerra entre Ucrânia e Rússia, segundo relato da mãe, Diana Silva. A notícia foi divulgada no domingo (2) por meio de redes sociais, mas nem o Ministério das Relações Exteriores nem o Exército da Ucrânia confirmaram a morte até a publicação desta reportagem.

Perfil do jovem e decisão de lutar

Mateus era solteiro, sem filhos, e chegou a cursar Engenharia Civil na Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), mas fez apenas um período. Antes de ingressar no Exército ucraniano, ele compartilhava nas redes sociais registros de viagens por Amsterdã, na Holanda, cidades da Bélgica e Paris, na França. Depois, viajou para a Ucrânia com a intenção de ser recrutado para a guerra contra a Rússia.

Segundo Diana, o filho se voluntariou em 26 de março deste ano, após receber a promessa de bonificação e bom salário em contrato de seis meses. No entanto, ao chegar, encontrou realidade diferente da apresentada. A mãe descreveu Mateus como inteligente, corajoso e dedicado à família: “Ele era um menino fora da curva. Era muito inteligente, com uma inteligência excepcional, um amor excepcional e um carinho excepcional. Por onde ele passava, era querido. Eu só podia admirá-lo. Eu só admirava o meu filho. Não o impedi, porque ele era homem, e eu admirava a sua coragem. Eu admirava o fato de o meu filho, tão jovem, ter assumido essa missão. Esse era o meu conforto: admirar a coragem dele. Mas eu não tinha noção de que ele passaria por isso. Meu filho era um menino muito bom e muito corajoso. Ele abdicou do conforto, da família e dos planos para lutar por outro país. Eu esperava que ele voltasse”, declarou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Circunstâncias da morte e resgate do corpo

A informação da morte foi repassada por brasileiros que estavam com o jovem. O corpo estaria em área de combate de alto risco, sob controle das forças inimigas, o que dificulta a retirada. Diana afirmou que o Exército ucraniano ainda não reconheceu oficialmente a morte porque o corpo não foi resgatado. Segundo ela, os soldados precisariam percorrer cerca de 30 quilômetros carregando o corpo até um ponto onde um veículo do batalhão pudesse buscá-lo.

“Estou contando somente com a solidariedade dos amigos e dos companheiros de batalha dele para que possam resgatar o corpo do meu filho. Essa é a realidade”, declarou Diana. Ela disse que passou vários dias sem contato com o filho, pois os militares teriam recolhido o telefone antes da missão. “Enquanto eu estava em comunicação com ele, estava tudo bem para mim. Mas, a partir do momento em que fiquei sem comunicação, passei a viver em tensão o tempo todo. Não conseguia dormir”, contou.

Treinamento e período de experiência

Mateus teria recebido cerca de quatro meses de treinamento e ainda estava em período de experiência quando foi enviado para a linha de frente. Diana questionou: “Eu não imaginava que, enquanto ele ainda estava no período de experiência, já o colocariam na linha de frente. Como colocam um menino novo na linha de frente? Como fazem isso com uma pessoa que teve apenas quatro meses de treinamento?”.

Ela soube da morte por um colega do filho, que entrou em contato com uma das irmãs do jovem. “Eu só fiquei sabendo porque um colega teve a compaixão de me comunicar”, disse. Diana viu fotos de Mateus publicadas por um amigo e desconfiou: “Quando vi os stories de um amigo dele, vi várias fotos do meu filho e desconfiei. Esse amigo não falou nada. Ele estava se despedindo do meu filho por meio das fotos”.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Procedimentos e alternativas para o corpo

Diana pretende buscar auxílio do consulado brasileiro e de um advogado. Inicialmente, queria trazer o corpo para o Brasil, mas recebeu a informação de que o traslado seria difícil e caro. “Eu tenho que aguardar o resgate do corpo do meu filho. Enquanto isso, estou de mãos atadas. Não posso fazer nada”, lamentou. Uma alternativa apresentada seria o sepultamento na Ucrânia, no Cemitério dos Heróis, destinado a militares mortos na guerra. “No Cemitério dos Heróis, onde são enterrados os soldados mortos na guerra, pelo menos haverá esse reconhecimento. Mas isso não tira o reconhecimento que ele já tem aqui. Meu filho é um herói. Lembrem-se dele como um herói. A mãe do herói está aqui. Eu sou a mãe do herói”, declarou.

Alerta a outros brasileiros

Diana fez um alerta: “Então, fica o alerta para qualquer outra pessoa que esteja pensando em ir para lá: não vá. Lidar com esse luto não é fácil. O consulado não faz nada. Eles não fazem nada”. Ela reforçou a dor: “Mãe nenhuma deveria passar pelo que estou passando. Eu não desejo essa dor para ninguém. Não sabia que passaria por essa dor tão cedo. Nenhuma mãe quer enterrar um filho. Eu não sabia, gente, que passaria por isso. Nunca esperava receber essa ligação.” Diana concluiu: “Eu só queria o meu filho. Era só isso que eu queria”.