Os Estados Unidos interromperam pela segunda noite consecutiva uma sequência de ataques aéreos contra o Irã que durava 13 dias, sem qualquer explicação ou anúncio oficial. Em resposta, o exército iraniano anunciou que também cessou suas ações, sinalizando uma trégua momentânea no conflito que começou no final de fevereiro.
Sinal de trégua e negociações diplomáticas
O porta-voz iraniano, Mohammad Akraminia, declarou à TV estatal que os EUA podem ter preparado cenários alternativos, mas a situação atual não é a desejada por Washington. "Se os americanos insistirem em continuar a guerra e os ataques aéreos, a geografia do conflito se expandirá", afirmou.
A pausa nos ataques coincide com conversas entre autoridades iranianas e omanitas sobre a navegação no Estreito de Ormuz, um gargalo global crucial. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, classificou as reuniões como "construtivas", com progressos, sem fornecer detalhes. Ele afirmou que consultas técnicas e políticas continuam e que não houve mudança no status do tráfego pelo estreito.
Posição dos EUA e possibilidades de escalada
O embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, disse no programa Meet the Press da NBC que o presidente Donald Trump mantém todas as opções. "O presidente está mantendo todas as opções na mesa. O que ele está fazendo agora, como vimos o tempo todo, é dar espaço às negociações", afirmou Waltz. Ele descreveu as negociações como contínuas, em todos os níveis, sem dar detalhes.
Waltz negou que a pausa nos ataques esteja relacionada a preocupações com estoques reduzidos de mísseis antimísseis Patriot na região, conforme noticiou o New York Times. Segundo o jornal, Trump e seus conselheiros adiaram planos de escalada devido a essas preocupações. Waltz afirmou que os militares dos EUA têm tudo o que precisam para conduzir a campanha.
Houthis atacam Arábia Saudita e agravam tensão no Mar Vermelho
Enquanto a trégua se mantinha entre EUA e Irã, outros focos de tensão se acenderam. Os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram ataques com mísseis e drones contra instalações da gigante do petróleo Saudi Aramco nas cidades portuárias de Jizan e Yanbu no sábado. A Arábia Saudita não confirmou os ataques, mas emitiu alertas de emergência breves, declarando posteriormente que o perigo havia passado.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita respondeu atacando posições militares houthis no final de sábado, segundo a Yemen TV. Os houthis também bloquearam portos sauditas e atacaram três petroleiros ligados à Arábia Saudita no Mar Vermelho. Os houthis sobreviveram a uma campanha de bombardeios de aproximadamente sete anos liderada pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos e ainda controlam áreas que contêm a maior parte da população do Iêmen, de mais de 40 milhões de pessoas. O Irã é o principal financiador e patrocinador dos houthis, embora o grupo seja mais autônomo do que outros proxies, como o Hezbollah no Líbano.
Impacto nos preços do petróleo
A escalada no Mar Vermelho agrava a pressão já severa sobre os fluxos regionais de energia causada pela paralisação quase total do tráfego via Estreito de Ormuz, anteriormente o canal para um quinto do suprimento global de petróleo bruto. O petróleo Brent disparou cerca de 27% nas últimas duas semanas, fechando na sexta-feira a US$ 96,78 o barril. Qualquer interrupção sustentada nas rotas de exportação da Arábia Saudita pelo Mar Vermelho — especialmente por Yanbu, por onde o país envia milhões de barris por dia como rota alternativa — pode elevar ainda mais os preços.
O presidente Trump, frustrado com a recusa do Irã em reabrir Ormuz, disse na sexta-feira que os EUA estão "com as armas carregadas e prontos" para grandes ataques, mas ainda não decidiu se prosseguirá. O porta-voz da Casa Branca, Steven Cheung, reiterou que Trump prefere uma solução diplomática, mas mantém todas as opções. "Seria sensato para o Irã trabalhar em direção a um acordo negociado", disse Cheung em comunicado.
Receita de petróleo do Irã atinge US$ 18 bilhões
O ministro do Petróleo do Irã, Mohsen Paknejad, revelou que as vendas de petróleo durante o conflito e o cessar-fogo geraram US$ 18 bilhões, representando mais de 60% da receita prevista no orçamento anual do país. A informação destaca a importância do petróleo para a economia iraniana em meio às sanções e ao conflito regional.
As negociações entre Irã e Omã continuam, enquanto a comunidade internacional monitora os desdobramentos no Oriente Médio. A suspensão dos ataques dos EUA, ainda que temporária, abre espaço para a diplomacia, mas a situação permanece volátil, com múltiplos atores e frentes de conflito ativas.



