Executivo coreano recruta taxistas de NY para novo aplicativo Throo
Executivo coreano recruta taxistas de NY para app Throo

O executivo de tecnologia coreano Kay Woo está determinado a conquistar o mercado de transporte por aplicativo em Nova York, um setor que movimenta bilhões de dólares. Em vez de focar nos passageiros, ele está cortejando os motoristas de táxi. Nos últimos meses, Woo fez visitas frequentes a um estacionamento do Aeroporto LaGuardia, recrutando condutores para sua empresa, a TADA, sediada em Singapura. Seu esforço rendeu frutos: desde março, cerca de 50 mil motoristas instalaram o aplicativo Throo, que começou a operar em junho e já está autorizado pela cidade.

Modelo de negócios inovador

O Throo promete uma alternativa ao modelo de comissões elevadas de Uber e Lyft. Enquanto esses aplicativos cobram em média 20% de comissão sobre cada corrida, o Throo adota uma taxa fixa de US$ 1 ou menos por viagem. Isso resulta em tarifas mais baixas para os passageiros e maior remuneração para os motoristas. Um exemplo prático: uma viagem do Terminal Rodoviário da Port Authority, em Manhattan, até o Aeroporto Internacional Kennedy custa US$ 80 com o Throo, contra US$ 136 da Uber e US$ 134 da Lyft.

Woo, de 44 anos, acredita que o modelo atrairá motoristas insatisfeitos com a redução dos ganhos nos aplicativos tradicionais. “Primeiro cuidamos do motorista, e o motorista pode cuidar dos passageiros”, afirmou em entrevista. A TADA já usou estratégia semelhante no Sudeste Asiático, tornando-se um dos aplicativos mais populares de Singapura.

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O duopólio ameaçado

Uber e Lyft dominam o mercado nova-iorquino, realizando cerca de 80% de todas as viagens de carros particulares e táxis. A Uber responde por aproximadamente 70% dessa fatia, segundo a Comissão de Táxis e Limusines de Nova York. Juntas, elas registraram 106 milhões de corridas até maio deste ano, mais de cinco vezes o número de corridas de táxi amarelo. O Throo, junto com outras startups, tenta romper esse duopólio oferecendo descontos e marketing sofisticado.

No entanto, o histórico de concorrentes é desanimador. A Via, que oferecia vans compartilhadas, encerrou o serviço em 2021. A Gett fechou seu aplicativo Juno em 2019. A mais recente ameaça, a Empower, enfrenta problemas legais. A cidade busca uma liminar para proibir a Yazam Inc., controladora da Empower, de operar, alegando falta de licenciamento e não pagamento de taxas. Midori Valdivia, comissária de táxis, alertou: “Não podemos garantir a segurança da frota da Empower, e passageiros podem ter problemas de seguro em caso de acidentes.” A empresa acumula mais de US$ 45 mil em multas.

A visão dos motoristas

Antonio Rivera, motorista dominicano de 50 anos, disse que buscava alternativas aos aplicativos maiores. “Uber e Lyft não tratam os motoristas bem”, afirmou. Em uma corrida de Long Island City para o Aeroporto LaGuardia, ele recebeu cerca de US$ 19 pelo Throo, contra US$ 11 ou US$ 12 dos concorrentes. “É um bom negócio para nós”, avaliou. Porém, nem todos têm a mesma experiência. Waseem Manzoor, 61, motorista paquistanês, parou de usar o Throo em julho por não obter ganhos superiores. Woo reconhece que nem todas as corridas pagarão mais, mas garante que a maioria resultará em pagamentos 10% a 15% maiores.

Bhairavi Desai, diretora executiva do New York Taxi Workers Alliance, que representa mais de 28 mil motoristas, mostrou ceticismo. “É déjà vu de novo”, disse, lembrando que Uber e Lyft também prometeram divisões favoráveis no início. “Alguns membros relatam que as tarifas do Throo não são melhores e que há poucas corridas disponíveis.”

Perspectivas futuras

Para evitar o fracasso dos antecessores, Woo aposta no crescimento rápido. Desde junho, mais de 35 mil passageiros usaram o Throo, gerando algumas centenas de corridas por dia. A meta é atingir 10 mil corridas diárias no próximo ano, quando a empresa se tornará lucrativa. “Se conseguirmos sobreviver até lá, este modelo é imbatível”, afirmou. A cidade, que tem mais de 80 mil motoristas de veículos de aluguel, vê o movimento com interesse, mas também com preocupações regulatórias.

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