EUA alertam americanos no Oriente Médio após novos ataques ao Irã
EUA alertam para riscos no Oriente Médio após ataques ao Irã

As embaixadas dos Estados Unidos em todo o Oriente Médio pediram neste sábado que os americanos redobrassem a cautela, depois que o presidente Donald Trump disse estar considerando novos ataques militares contra o Irã. O alerta foi divulgado em meio a uma escalada que já afeta a navegação no Estreito de Ormuz e eleva a tensão na região.

De acordo com as representações diplomáticas, os cidadãos americanos devem se preparar para cancelamentos de voos, fechamentos periódicos do espaço aéreo e outras interrupções de viagem, enquanto as tensões permanecem elevadas. O aviso abrange embaixadas e consulados em diversos países do Oriente Médio, como parte dos procedimentos de segurança para situações de risco.

Alerta para interrupções de viagem

O comunicado das embaixadas ocorre em um momento em que o espaço aéreo da região pode sofrer restrições decorrentes de novos ataques. As autoridades norte-americanas recomendam que os cidadãos mantenham planos de contingência e acompanhem as instruções oficiais.

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Paralelamente, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, afirmou no sábado que a continuidade do bloqueio naval dos EUA e qualquer escalada não apenas restringiriam ainda mais a navegação pelo Estreito de Ormuz, mas também levariam ao fechamento de outros pontos estratégicos de estrangulamento. A declaração reforça o tom de confronto entre os dois países.

Pressão militar e ameaça de novos ataques

As declarações de Zolghadr ocorrem depois de uma reportagem do The Wall Street Journal, publicada na sexta-feira, citando autoridades americanas não identificadas, de que Trump teria ordenado que os militares executassem um novo ataque contra o Irã já neste fim de semana, na tentativa de forçar Teerã a se render. Segundo o jornal, a ação poderia começar imediatamente.

O próprio presidente reforçou o tom durante uma reunião de gabinete. "Vamos atingi-los com muita força", disse Trump. "E em algum momento eles vão dizer que não aguentam mais." A fala indica que a Casa Branca não pretende recuar na pressão militar, apesar dos riscos de uma guerra mais ampla.

Cronologia da escalada

O conflito intermitente entre EUA e Irã começou em 28 de fevereiro. Uma trégua breve ruiu no mês passado, e os dois lados pausaram as trocas de ataques no fim da semana passada na tentativa de dar uma chance à diplomacia. Essa trégua terminou na terça-feira à noite, quando Teerã realizou o que Trump descreveu como um ataque surpresa, disparando vários mísseis balísticos contra uma base militar dos EUA na Jordânia.

A mais recente escalada provocou fortes oscilações nos preços de energia. O petróleo Brent fechou a semana acima de US$ 90 por barril, ante menos de US$ 72 no início do mês passado. Os efeitos da guerra se espalharam muito além do Golfo, elevando a inflação em todo o mundo e ameaçando envolver ainda mais o Oriente Médio.

Impacto no transporte marítimo

Na madrugada, uma embarcação de GNL foi atingida no Estreito de Ormuz, na costa de Omã, enquanto um petroleiro próximo relatou um quase acidente. Segundo as Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, não houve impacto ambiental registrado. O incidente evidencia o risco para as rotas de exportação de petróleo e gás natural liquefeito na região.

Os houthis, apoiados pelo Irã, também abriram uma nova frente na guerra na semana passada, alvejando dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho com mísseis e drones. A ação ampliou a área de confronto e pressionou ainda mais o comércio marítimo internacional.

Envolvimento regional crescente

Arábia Saudita e Iraque se envolveram mais profundamente no conflito. Riad se juntou aos EUA nesta semana em ataques contra milícias apoiadas pelo Irã no Iraque, em resposta a ataques a instalações petrolíferas sauditas. O Egito foi arrastado para a guerra quando dois navios transportando GNL foram atingidos por drones no porto de Damieta. O Kuwait, por sua vez, informou no sábado que sua defesa aérea detectou e destruiu drones iranianos.

A multiplicação de frentes indica que o conflito deixou de ser apenas uma troca de ataques entre EUA e Irã e passou a envolver diversos países da região, elevando o risco de uma guerra regional de grandes proporções.

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Possível ataque à infraestrutura energética

A CBS informou separadamente que os EUA consideram atacar a infraestrutura energética iraniana, incluindo refinarias de petróleo e usinas elétricas. Essa medida marcaria uma grande escalada na campanha militar. Grupos de defesa de direitos humanos alertam que o bombardeio deliberado de alvos civis pode ser considerado crime de guerra.

A Casa Branca, por sua vez, não confirmou oficialmente os planos. A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, disse em comunicado que "o Irã continuará pagando até que se sente à mesa sob os termos que o presidente Trump considerar significativos". A declaração sugere que as operações militares devem continuar enquanto Teerã não ceder às exigências americanas.

Desgaste militar e cenário político

Trump tem ameaçado com frequência uma escalada drástica da guerra, apenas para mudar de posição logo em seguida. Ao mesmo tempo, o conflito tem esgotado as munições dos EUA, especialmente os interceptores de defesa aérea cruciais para impedir ataques a bases. Conforme estimativas citadas pela Bloomberg, a guerra contra o Irã já consumiu 65% do estoque de interceptadores Patriot, restando menos de 1.000 unidades.

O desgaste militar ocorre em um momento politicamente delicado. Com o controle do Congresso em jogo nas eleições de meio de mandato em novembro, pesquisas mostram que a maioria dos eleitores desaprova a condução da guerra e da economia por Trump. A combinação de baixa popularidade, custo do conflito e impacto econômico pode limitar as opções do presidente nos próximos meses.