Na quarta-feira (24/6) às 18:06, horário de Caracas (uma hora a menos que Brasília), a jornalista brasileira recebeu um áudio da irmã, Verónica, pelo WhatsApp. Ela dizia: "Acabou de tremer muito. Ainda está tremendo". Ofegante, Verónica descrevia o apartamento todo rachado e a força do tremor. Dois minutos antes, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou um primeiro terremoto de magnitude 7,2, seguido 39 segundos depois por um tremor ainda mais intenso, de magnitude 7,5.
Família ilhada e comunicação cortada
Verónica mora na Primera Avenida do bairro Los Palos Grandes, área de alto risco sísmico. Como era feriado, ela e a mãe estavam juntas. Após o áudio, a jornalista tentou ligar, mas ninguém respondeu. Em um chat de jornalistas em Caracas, confirmaram o terremoto e disseram que linhas telefônicas e internet estavam fora do ar. As mensagens para a irmã não chegavam.
Grupos de WhatsApp dispararam alertas: terremoto na Venezuela com impactos na Colômbia, Trinidad e Tobago e Antilhas Holandesas, e alerta de tsunami. Amigos também tentavam localizar parentes. Vídeos mostravam pessoas gritando e chorando ao sair de edifícios, enquanto pedaços de parede caíam.
Prédios desabados e devastação
Uma amiga informou que um prédio na Primera Avenida havia desabado. A jornalista recebeu um vídeo de um edifício esfarelado como um biscoito, a poucos metros de onde sua mãe e irmã estavam. Outro vídeo mostrava um segundo prédio desabado na mesma rua. Também circularam imagens de destruição em San Bernardino, no Aeroporto Internacional Simón Bolívar e em outras regiões. O governo não divulgou números de mortos ou feridos, mas testemunhas repetiam: "Com certeza há um monte de mortos".
Contato restabelecido e perda da casa
Um jornalista conseguiu falar com Verónica e colocou a ligação no viva-voz. Ela disse: "Oi, mana, estamos bem. Estamos na esquina, do lado de fora de casa. O prédio está totalmente destruído, as paredes estão rachadas. Estou sem sinal". A jornalista conseguiu localizar os prédios desabados no mapa. Amigos relataram que seus apartamentos não estavam mais habitáveis. Uma amiga no centro de Caracas disse que nenhuma equipe de resgate havia chegado.
"Pensei que fôssemos morrer"
Duas horas depois, Verónica recuperou a conexão e ligou. Contou que o telefone emitiu um alerta do Google segundos antes do primeiro tremor. Com tremores secundários e sem energia, não voltaram ao apartamento. Os gatos se esconderam debaixo das camas. A mãe comparou o terremoto ao de 1967, dizendo que este foi muito mais longo e intenso. "Nunca pensei que viveríamos algo como isso", disse, com a voz entrecortada. Verónica completou: "Irmã, pensei que fôssemos morrer". Amanhã (25/06), ela voltará para saber se ainda tem onde viver.
Brasil manifesta solidariedade
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que o governo Lula "expressa seu pesar pelas perdas causadas pelos terremotos que atingiram o território venezuelano". Em comunicado, afirmou: "Brasil manifesta sua solidariedade ao governo e ao povo da Venezuela e deseja pronta recuperação aos feridos". Os terremotos também foram sentidos em áreas do Brasil próximas à fronteira. O governo orientou cidadãos afetados a contatar a embaixada em Caracas pelo telefone +58 414-3723337.



