Crescimento superou expectativas do mercado
O Produto Interno Bruto (PIB) da Itália cresceu 0,2 ponto percentual no segundo trimestre de 2026 em comparação com o trimestre anterior, de acordo com a prévia divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat) nesta quinta-feira, 30 de julho. O resultado veio acima das projeções dos economistas consultados pela agência Reuters, que esperavam estabilidade ou leve alta de 0,1 ponto percentual. Na comparação anual, o PIB italiano avançou 0,9% no período abril-junho, também superando as estimativas.
A prévia do PIB, conhecida como estimativa rápida, é baseada em dados parciais de produção, despesas e emprego. O Istat destaca que os números são preliminares e sujeitos a revisões quando os dados completos forem divulgados em setembro. Apesar da surpresa positiva, a economia italiana ainda enfrenta desafios estruturais, como a elevada dívida pública e a desaceleração da indústria.
Setores que impulsionaram o resultado
O crescimento do PIB no segundo trimestre foi puxado principalmente pelo setor de serviços, que registrou alta de 0,3% ante o trimestre anterior, impulsionado pelo turismo e pelo consumo interno. A indústria, por outro lado, apresentou leve queda de 0,1%, refletindo a fraqueza da demanda externa e os custos elevados de energia. A construção civil manteve-se estável, enquanto a agricultura teve um pequeno avanço de 0,2%.
Do lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 0,2% no trimestre, ajudado pela inflação moderada e pelo mercado de trabalho aquecido. A taxa de desemprego caiu para 7,8% em junho, o menor nível desde 2008. Os investimentos fixos recuaram 0,1%, refletindo a incerteza econômica global. As exportações líquidas contribuíram negativamente, com as exportações crescendo 0,1% e as importações aumentando 0,4%.
Perspectivas para o restante de 2026
O governo italiano, liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni, mantém a projeção de crescimento do PIB de 1,0% para 2026, mas analistas privados já revisam suas estimativas para cima após o dado do segundo trimestre. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê expansão de 0,9% para a economia italiana neste ano, abaixo da média da zona do euro. A Comissão Europeia, por sua vez, estima crescimento de 1,1%.
Riscos como a desaceleração da economia alemã, o aperto monetário do Banco Central Europeu (BCE) e a instabilidade geopolítica no Leste Europeu ainda preocupam. O BCE elevou a taxa de juros para 4,0% em julho, o maior nível desde 2001, o que tende a frear o crédito e o consumo. No entanto, o mercado de trabalho resiliente e os estímulos fiscais do governo devem sustentar a atividade nos próximos meses.
O Istat divulgará os dados completos do PIB do segundo trimestre em 6 de setembro, com detalhamento por setor e componente de demanda. Até lá, a prévia serve como indicador importante para as decisões de política econômica.



