A economia da França registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre de 2025 em comparação com os três meses anteriores, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee). O resultado veio em linha com as expectativas de analistas consultados pela agência Reuters e mostra resiliência diante do cenário de incertezas provocado pela guerra na Ucrânia.
Consumo das famílias impulsiona o PIB
O avanço do Produto Interno Bruto (PIB) francês foi puxado principalmente pelo consumo das famílias, que cresceu 0,5% no período, após queda de 0,1% no primeiro trimestre. A despesa do governo também contribuiu positivamente, com alta de 0,3%. Já a formação bruta de capital fixo (investimentos) recuou 0,2%, impactada pela redução nos setores de construção e de bens de capital.
No lado externo, as exportações aumentaram 0,8% e as importações subiram 0,6%, resultando em uma contribuição líquida positiva de 0,1 ponto percentual para o PIB.
Incertezas geopolíticas persistem
Apesar do crescimento, a economia francesa ainda enfrenta desafios significativos. “A guerra na Ucrânia continua gerando incertezas sobre os preços da energia e o abastecimento de matérias-primas, o que afeta a confiança dos empresários e consumidores”, afirmou Olivier Garnier, economista-chefe do Insee. A inflação, embora em desaceleração, permanece acima da meta do Banco Central Europeu, pressionando o poder de compra das famílias.
Em termos anuais, o PIB francês cresceu 1,1% no segundo trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Insee. Para todo o ano de 2025, o governo francês projeta uma expansão de 1,0%, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima 0,9%.
Comparação com outros países da Europa
O desempenho da França fica ligeiramente acima da média da zona do euro, que deve crescer 0,1% no segundo trimestre, segundo estimativas preliminares. A Alemanha, maior economia do bloco, registrou contração de 0,2% no período, enquanto a Itália manteve estabilidade. A Espanha, por sua vez, surpreendeu com alta de 0,4%.
Os dados reforçam a heterogeneidade da recuperação econômica na Europa, com países mais expostos à indústria sofrendo com a alta dos custos energéticos, enquanto economias mais voltadas aos serviços apresentam maior resiliência.



