Europa enfrenta onda de calor excepcional com temperaturas acima de 40°C
Onda de calor na Europa ultrapassa 40°C e bate recordes

Milhões de pessoas enfrentam uma onda de calor excepcional em diversos países da Europa nesta semana. França, Espanha, Itália e Reino Unido registram temperaturas muito acima da média para a época, com máximas superiores a 40°C em algumas regiões. O episódio já bate recordes, levou autoridades a emitir alertas máximos e é comparado por meteorologistas à histórica onda de calor de 2003, que causou cerca de 80 mil mortes em todo o continente.

Impactos imediatos: escolas fechadas e pontos turísticos afetados

Por causa do calor, escolas foram fechadas, eventos esportivos cancelados e pontos turísticos precisaram suspender atividades. Na França, a Torre Eiffel e o Museu do Louvre tiveram o funcionamento afetado. Autoridades emitiram alertas de saúde para grupos mais vulneráveis. Nos últimos dias, ao menos 40 pessoas morreram afogadas ao tentar se refrescar diante das temperaturas extremas. O país colocou cerca de metade de seu território sob alerta vermelho de onda de calor.

O que causa o calor extremo? Bloqueio ômega

A principal causa imediata é um fenômeno atmosférico conhecido como bloqueio ômega. O nome vem do formato que o sistema assume nos mapas meteorológicos, semelhante à letra grega Ω. Trata-se de uma área de alta pressão atmosférica cercada por dois sistemas de baixa pressão. Esse bloqueio funciona como uma “tampa” sobre uma região, impedindo a passagem de frentes frias e mantendo o ar quente preso por vários dias. Em condições normais, a corrente de jato desloca os sistemas de oeste para leste, mas durante o bloqueio ômega esse fluxo é interrompido, permitindo que o calor se acumule continuamente. Com poucas nuvens, a radiação solar aquece ainda mais a superfície, resultando em dias consecutivos de calor intenso, temperaturas recordes e noites cada vez mais quentes.

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Mudanças climáticas: o papel do aquecimento global

Os cientistas ainda investigam como as mudanças climáticas podem influenciar a frequência dos bloqueios ômega, sem consenso sobre essa relação específica. No entanto, há consenso de que o aquecimento global está tornando as ondas de calor mais frequentes, mais duradouras e mais intensas. A Europa é atualmente o continente com aquecimento mais acelerado do mundo. Dados do programa europeu Copernicus mostram que as temperaturas na região aumentam cerca de duas vezes mais rápido que a média global desde a década de 1980. O mesmo monitoramento apontou que 2024 foi o ano mais quente já registrado na Europa e no planeta. O continente também registrou um dos maiores números de dias de “estresse térmico”, condição em que o calor representa risco significativo à saúde humana.

Por que a situação preocupa tanto?

O problema não é apenas a temperatura máxima durante o dia, mas a persistência do calor. Quando uma onda de calor se prolonga por vários dias, o corpo humano tem mais dificuldade para se recuperar, especialmente à noite. Isso aumenta o risco de desidratação, exaustão térmica, agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias, e eleva a mortalidade, principalmente entre idosos e pessoas vulneráveis. Na França, o país registrou a tarde e a noite mais quentes desde o início dos registros em 1947. Especialistas consideram esse um dos sinais mais preocupantes, pois a população não consegue se recuperar do estresse térmico acumulado. Além disso, muitas regiões europeias são mais adaptadas ao frio do que ao calor. O uso de ar-condicionado é menos disseminado, e cidades, edifícios e sistemas de transporte foram projetados para conservar calor no inverno, não para dissipá-lo. Isso explica por que episódios de calor extremo causam impactos tão significativos. Autoridades têm suspendido aulas, restringido atividades ao ar livre e reforçado orientações para reduzir a exposição.

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Previsão para os próximos dias

As previsões indicam que o calor extremo deve continuar afetando boa parte da Europa ao longo desta semana. Na França, os termômetros podem alcançar 43°C em algumas áreas. No Reino Unido, há expectativa de quebra de recordes históricos para junho, com temperaturas próximas de 37°C. A duração do episódio dependerá do enfraquecimento do bloqueio ômega. Enquanto esse sistema permanecer estacionado sobre o continente, o calor continuará acumulado, mantendo o risco de novos recordes e impactos à saúde da população.