Lisboa, a capital de Portugal, vive um renascimento impulsionado pelo turismo, pela arte e pela diversidade, mas enfrenta desafios como o aumento do extremismo. A cidade, que recebia cerca de 2 milhões de visitantes por ano em meados da década de 1990, deve ultrapassar os 9 milhões em 2026. Os turistas americanos lideram esse crescimento, com um aumento de 90% nos últimos quatro anos, segundo dados oficiais.
Uma cidade que despertou
Carlos Sanches Ruivo, proprietário da Late Birds, uma guesthouse com 16 quartos no Bairro Alto, descreve Portugal como "um país de contradições. É conservador, mas aventureiro; insular, mas aberto ao mundo". Sua própria história reflete os altos e baixos do país: seus pais se mudaram para a França durante a ditadura de Salazar, e ele retornou em 2015 para fundar a pousada em uma casa do século 18 que estava em ruínas. A Late Birds, decorada com antiguidades e obras de artistas LGBTQ+ locais, oferece piscina, terraço e bar, a partir de € 240 por noite.
Nas ruas de Lisboa, o charme peculiar dos paralelepípedos em preto e branco, com padrões de cataventos e tabuleiros de xadrez, ainda domina a paisagem. Edifícios em tons de amarelo-manteiga, azul-íris, marfim, verde-celadon, vermelho-coral e rosa compõem a identidade visual da cidade. Apesar do aumento do turismo, a aparência física de Lisboa permaneceu praticamente inalterada, exceto por algumas pichações contra a gentrificação.
Uma cena artística que floresce
O Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (Maat), projetado pela arquiteta britânica Amanda Levete, é um dos novos polos culturais. Localizado às margens do Rio Tejo, no bairro de Junqueira, o Maat exibe uma extensa coleção de pop art junto com objetos históricos da antiga usina elétrica reformada (entrada: € 16). Perto dali, o Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (Macam), instalado em um palácio do século 18, exibe cerca de 600 peças da coleção do empresário Armando Martins, abrangendo do fim do século 19 até obras recentes (entrada: € 15).
O restaurante Canalha, do chef João Rodrigues, é um dos mais disputados de Lisboa. Durante uma refeição que incluiu omelete com camarão e cebola (€ 18), lulas salteadas na manteiga de leite de ovelha (€ 25) e bife (€ 16), o amigo Rui comentou: "Lisboa é a base perfeita para artistas. Tem muitos espaços baratos e dá para se sustentar com um emprego de meio período". No entanto, alertou para o lado sombrio: "Grafites homofóbicos estão começando a aparecer novamente em Lisboa", com a ascensão do partido de extrema-direita Chega.
Turismo e hospitalidade em alta
Lisboa passa por um boom hoteleiro. O Locke de Santa Joana, instalado em um convento do século 17, oferece 370 quartos com preços acessíveis a partir de € 137, muitos com fogão, geladeira e máquina de lavar. O hotel conta com o restaurante Santa Joana, do chef Nuno Mendes, onde o T-bone de porco com molho de nozes torradas e nabo custa € 32.
Uma visita guiada de quatro horas pela Lisboa Queer, com a guia Leonor Machado (€ 40), revelou como "décadas de fascismo deixaram uma marca profunda na cultura portuguesa", segundo ela. O passeio terminou no Damas, um restaurante e espaço de arte na Graça, onde pica-pau e tempurá de vagem custam cerca de € 20. Leonor definiu Lisboa como "inclusiva e ainda com um forte senso de comunidade".
O poeta Fernando Pessoa, que morreu em 1935, considerava a "saudade" a característica definidora da identidade portuguesa. Mas Lisboa parece manter algo que nunca perdeu: sua gentileza. "A melhor coisa da minha cidade natal é que ela é gentil", disse Leonor. E eu não poderia concordar mais.



