O Instituto Nacional de Estatística (INE) da Espanha divulgou nesta sexta-feira (30) a prévia do índice de preços ao consumidor (IPC) de julho, que registrou alta de 0,2% em relação a junho e de 3,5% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado representa uma desaceleração em relação ao mês passado, quando a inflação anual havia sido de 3,8% e ficou abaixo da expectativa de mercado de 3,6%.
Alívio nos preços de energia e alimentos
O INE atribuiu a desaceleração principalmente à queda nos preços de energia, especialmente eletricidade e combustíveis, e ao menor ritmo de alta dos alimentos. Segundo comunicado do INE, “a inflação de julho reflete uma moderação nos custos energéticos e uma estabilização dos preços dos alimentos”. A inflação subjacente, que exclui energia e alimentos frescos, caiu para 2,8% em julho, ante 3,0% em junho, indicando pressões mais moderadas sobre os preços.
No detalhamento setorial, os preços de energia recuaram 1,2% no mês, enquanto os alimentos subiram 0,3%, bem abaixo da média de 0,6% observada nos meses anteriores. Bens industriais registraram alta de 0,1% e serviços, de 0,4%, ambos em linha com as médias recentes.
Impacto sobre a política monetária do BCE
O dado reforça a expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) possa manter os juros inalterados na próxima reunião, já que a inflação se aproxima da meta de 2%. Economistas consultados pelo INE preveem que a inflação fechada de julho, a ser divulgada em meados de agosto, confirme a tendência de arrefecimento. “A prévia do IPC sinaliza que a inflação está no caminho certo, mas o BCE deve permanecer vigilante diante de riscos geopolíticos”, afirmou o ministro da Economia espanhol, Carlos Cuerpo, em nota.
A taxa anual de 3,5% ainda está acima da meta de 2% do BCE, mas a tendência de queda é clara. O núcleo da inflação, que exclui itens voláteis, caiu para 2,8%, o menor nível desde fevereiro de 2022.
Análise setorial e perspectivas
No setor de serviços, os preços subiram 0,4% no mês, impulsionados por turismo e lazer, mas com menor intensidade que em meses anteriores. A alimentação apresentou variação de 0,3% no mês e 4,2% no ano, ainda elevada, mas em desaceleração. O governo espanhol comemorou os números, mas alertou para riscos como o aumento dos preços do petróleo e a volatilidade nos mercados financeiros internacionais.
O INE destacou que a inflação harmonizada, usada para comparações na zona do euro, subiu 0,2% no mês e 3,4% no ano, também abaixo do esperado. Esse indicador é o referencial para o BCE, que monitora a convergência entre os países membros.
A prévia do IPC de julho na Espanha sinaliza uma trajetória de desinflação consistente, mas o BCE segue cauteloso. A próxima divulgação do IPC fechado ocorrerá em 15 de agosto, e os mercados acompanharão de perto os dados para calibrar as expectativas de política monetária.



