Christopher Phillips, de 63 anos, foi condenado pela Justiça do País de Gales a dois anos e quatro meses de prisão após manter o corpo da mãe, de 89 anos, em um freezer por quase três anos. Durante esse período, ele continuou recebendo benefícios e auxílios em nome dela, totalizando mais de 78 mil libras (cerca de R$ 490 mil).
Crime e ocultação
Phillips foi declarado culpado de impedir o enterro legal da mãe e de cometer fraude ao não comunicar sua morte às autoridades. O caso veio à tona quando vizinhos e parentes estranharam a ausência da idosa e alertaram a polícia.
Segundo a investigação, o homem manteve o corpo da mãe em um freezer doméstico em sua residência, na cidade de Port Talbot, no sul do País de Gales. Ele não registrou o óbito e continuou a receber a pensão e outros auxílios destinados à mãe, como benefícios de moradia e subsídios para cuidados de saúde.
Fraude de longa duração
As autoridades estimam que a fraude durou aproximadamente dois anos e dez meses, período em que Phillips teria recebido cerca de 78.500 libras. O montante inclui pagamentos mensais de pensão e outros benefícios que seriam cancelados após a morte da beneficiária.
O promotor do caso, Gareth Jones, afirmou em tribunal que Phillips agiu de forma deliberada e calculista, ocultando a morte da mãe para continuar usufruindo dos recursos. “Ele demonstrou total desrespeito pela memória da mãe e pela lei, ao manter o corpo dela por tanto tempo apenas para obter vantagem financeira”, disse Jones.
Sentença e reação
O juiz responsável pelo caso, David Wynn Morgan, destacou a gravidade da conduta, classificando-a como “um ato de profunda desonestidade e falta de humanidade”. A sentença de dois anos e quatro meses foi anunciada após Phillips se declarar culpado das acusações.
Durante o julgamento, a defesa argumentou que Phillips sofria de problemas de saúde mental e que não tinha intenção de causar dano, mas o juiz rejeitou a justificativa, afirmando que a fraude foi planejada e executada com frieza.
Contexto e implicações
O caso gerou comoção no Reino Unido, levantando questões sobre a fiscalização de benefícios sociais e a vulnerabilidade de idosos. Autoridades locais afirmaram que vão revisar procedimentos para evitar situações semelhantes no futuro.
Após a descoberta do corpo, a polícia realizou uma investigação completa, que incluiu análise de registros bancários e testemunhos de vizinhos. O corpo da mãe de Phillips foi finalmente sepultado em uma cerimônia privada, após a liberação pelas autoridades.
O caso também reacendeu o debate sobre a necessidade de verificações mais rigorosas para beneficiários de pensões e auxílios, especialmente em situações em que o beneficiário é idoso e vive sozinho. Especialistas em segurança social ouvidos pela imprensa local destacaram que casos como este são raros, mas mostram falhas no sistema que precisam ser corrigidas.
Christopher Phillips, que permanecerá detido, terá que devolver os valores recebidos ilegalmente, conforme determinação da Justiça. O tribunal também ordenou que ele pague as custas processuais.



