Um casal britânico aposentado, que navegava em um iate no Canal da Mancha, relatou à BBC ter vivido uma experiência 'surreal' depois que um navio de guerra russo disparou tiros de advertência nas proximidades. Jane e Alan Kelvey estavam a 37 quilômetros da costa da Ilha de Wight quando se aproximaram da fragata russa Admiral Grigorovich.
Reações do governo britânico
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou os disparos como 'imprudentes'. O Ministério da Defesa britânico afirmou que se tratou de um 'incidente isolado'. Por outro lado, o Ministério da Defesa da Rússia declarou que o iate fazia uma 'aproximação perigosa' em direção ao navio de guerra, mas o casal negou que estivesse em rota de colisão.
Detalhes do incidente
O incidente ocorreu na manhã de terça-feira (16/06). Jane Kelvey descreveu que o navio de guerra emitiu cinco sinais sonoros, indicando 'vocês nos viram?'. Imediatamente, eles alteraram o curso em dois graus para bombordo. Cerca de um minuto depois, ouviram mais cinco toques de buzina, seguidos por quatro a cinco disparos de armas, que acreditam terem sido tiros de advertência para o alto.
Navios de guerra russos transitam frequentemente por águas internacionais no Canal da Mancha, sendo monitorados rotineiramente por embarcações da Marinha Real britânica. O governo russo afirmou que seus marinheiros agiram em conformidade com as normas internacionais de navegação.
Posicionamento das autoridades
Starmer expressou solidariedade ao casal, que, segundo ele, deve ter ficado 'apavorado'. Um porta-voz do Ministério da Defesa britânico explicou que os tiros de advertência foram uma tentativa de evitar uma possível colisão, após tentativas de contato por rádio e sinalizadores.
Jane Kelvey afirmou que o iate 'Bright Future' não estava em rota de colisão e classificou os disparos como 'completamente desnecessários'. O incidente ocorreu a cerca de 37 quilômetros ao sul da Ilha de Wight, fora das águas territoriais do Reino Unido. Autoridades britânicas receberam relatos de que os tiros foram disparados a aproximadamente 457 metros de distância.
Contexto e investigações
A BBC apurou que o iate derivou em direção ao navio de guerra devido à neblina, após partir do Reino Unido. Autoridades acreditam que a fragata russa estava à deriva, tornando-a menos manobrável. Um bote do HMS Tyne foi enviado para verificar a segurança do casal, que disse não ter ficado com medo.
O incidente ocorre dias após a Marinha britânica interceptar um petroleiro da frota fantasma russa no Canal. O Ministério da Defesa negou ligação entre os eventos. A fragata Admiral Grigorovich estava sendo acompanhada pelo HMS Mersey em uma operação de rotina.
Uma fonte da Otan informou à BBC que Moscou instruiu o Admiral Grigorovich a escoltar embarcações da frota fantasma pelo Canal. Imagens de satélite mostraram a embarcação de reparo PM-82 operando na região, fornecendo suprimentos para a fragata.
Análises de especialistas
O ex-ministro britânico de Defesa Ben Wallace classificou o incidente como 'uma postura muito agressiva', considerando a distância e o tamanho do iate. Ele acredita que se trata de 'intimidação russa' e criticou os gastos com defesa do Reino Unido.
O ex-vice-almirante James Parkin afirmou que o uso da força armada é um último recurso. Ele sugeriu que o incidente pode ter sido um erro de cálculo, em vez de um ato deliberado, e destacou que a apreensão do petroleiro foi um constrangimento para Moscou.
Reportagem adicional de Matt Murphy e Tabby Wilson, da BBC Verify.



