MPRJ investiga venda de suplementos falsificados pela internet
MPRJ mira venda de suplementos falsificados online

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) investiga um grupo criminoso especializado na venda de suplementos alimentares falsificados pela internet. Os produtos eram comercializados com descontos de até R$ 200 em relação aos originais. Uma operação foi realizada nesta quarta-feira (17) para cumprir 14 mandados de busca e apreensão.

Diferença de preço chegava a R$ 170

Segundo a denúncia do CyberGAECO, a diferença de preço entre os produtos falsificados e os originais chegava a mais de R$ 170 em alguns casos. Os suspeitos utilizavam plataformas de comércio eletrônico para anunciar suplementos de marcas conhecidas, com fotos semelhantes às dos produtos originais e preços considerados atrativos para os consumidores.

Após a compra, os consumidores recebiam itens diferentes dos anunciados ou produtos que não correspondiam aos originais. A denúncia relata que as suspeitas ganharam força a partir de reclamações feitas por clientes nas próprias plataformas de venda e também junto aos fabricantes.

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Operação em várias cidades

Os mandados foram cumpridos no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio; em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; em Mangaratiba, na Costa Verde; e nos municípios de São Pedro da Aldeia e Cabo Frio, na Região dos Lagos.

A promotora Tatiana Kaziris afirmou: “As substâncias inseridas ali são as mais variadas. Já houve identificação de gesso misturado na creatina”. A falsificação muitas vezes era grosseira: embalagens não traziam número do lote nem data de validade, e algumas cápsulas tinham cores e tamanhos diferentes das originais, sem garantia do que continham.

Esquema de quatro anos

O grupo agia desde pelo menos 2022. As investigações começaram com reclamações de consumidores às marcas e lojas online. As empresas perceberam que os produtos com problemas vinham do mesmo endereço, em Duque de Caxias, quase sempre enviados pelos mesmos vendedores.

Segundo o MPRJ, os vendedores se aproveitavam da credibilidade de grandes marketplaces para ampliar as vendas dos itens falsificados, causando prejuízos a milhares de consumidores e danos à reputação das empresas. As plataformas colaboraram com as investigações, fornecendo informações que ajudaram na identificação dos integrantes do esquema.

Ao todo, 14 pessoas foram denunciadas pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGaeco/MPRJ).

Laboratório clandestino

Na primeira fase da apuração, em fevereiro de 2024, uma ação da Polícia Civil localizou um laboratório clandestino utilizado para a fabricação dos produtos adulterados. Os agentes também encontraram um galpão com grande quantidade de suplementos e produtos farmacêuticos, centenas de encomendas prontas para envio e milhares de rótulos, indicando a atuação em larga escala da organização.

Além dos prejuízos financeiros, o Ministério Público alerta para os riscos à saúde dos consumidores, já que os produtos continham substâncias diferentes das informadas nos rótulos. Os denunciados responderão pelos crimes de associação criminosa, estelionato e falsificação de produtos.

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