Brasileiros detidos na Islândia após ação contra caça de baleias
Brasileiros detidos na Islândia após ação contra caça

Na noite de quinta-feira (30), a Guarda Costeira da Islândia abordou o navio Bandero, que participava da Operação 86 da ONG internacional Captain Paul Watson Foundation. A ação aconteceu depois que o grupo conseguiu interromper uma matança de baleias, segundo a fundação. Durante a abordagem, agentes das Forças Especiais da Islândia subiram a bordo e ordenaram que o capitão desligasse o barco e que todos desligassem os telefones.

A detenção só foi divulgada no sábado (1º), quando a Sea Shepherd Brasil denunciou que o grupo estava havia quase 40 horas sob poder do governo islandês e pediu ajuda ao governo brasileiro. A embarcação foi escoltada até Reykjavík, capital da Islândia. Até a última atualização, somente o capitão havia sido preso.

Quem são os brasileiros detidos

Quatro brasileiros integram a lista de detidos: Vitor Young, de 32 anos, santista, contramestre da embarcação; Victor Calixto, de 23 anos, marinheiro, de Ilhabela (SP); Lucas Barbosa, de 28 anos, cozinheiro, de Craíbas (AL); e Rui Amorim, de 52 anos, médico de bordo, de Fortaleza (CE).

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Além dos quatro, outros 17 integrantes de dez países participavam da missão no Bandero. A Sea Shepherd Brasil denunciou a situação nas redes sociais: “Depois da abordagem ao Bandero pela guarda costeira e pela polícia islandesa, toda a comunicação com a tripulação foi interrompida. Depois de mais de 24h sem comunicação, os tripulantes puderam então acessar seus computadores para se comunicarem com as famílias.”

Mensagens de Vitor Young para a família

O g1 teve acesso às mensagens enviadas pelo tripulante para tranquilizar a família. Autorizado a usar um notebook na noite de sexta-feira (31), Vitor entrou em contato com a família por um aplicativo de mensagens. Em uma conversa com a mãe, ele contou que foi detido e que a polícia ficou mais de 24 horas fazendo interrogatório a bordo. A corporação teria dado um prazo de quatro semanas para resolver a situação, com duas possibilidades: apreender o navio e deportar os passageiros, ou mandá-los de volta navegando.

Na troca de mensagens com o pai, contou que a polícia local é “extremamente gentil”. Quando o pai perguntou se havia “terrorismo psicológico”, respondeu: “O barco está no porto e a gente não pode sair. Vai rolar uma investigação agora e o capitão vai responder por tudo.” Ele também escreveu: “A polícia pegou o celular de geral” e “A gente é só tripulação. Está tudo bem por aqui. Relaxa.” Sobre o retorno, disse: “Jaja eles deportam a gente e eu estou de volta.”

O pai, Marcelo Young, contou ao g1 que o filho segue sem celular, mas conseguiu usar o notebook. Na conversa, Vitor ainda avisou que a família poderia colocá-lo no grupo montado com os familiares dos brasileiros. Ao final, mandou beijos e disse “Descansa aí”.

Pai esclarece papel do filho

Marcelo afirma que Vitor não tem qualquer vínculo com a ONG nem com a causa ambiental. Ele foi contratado exclusivamente como contramestre para prestar serviços navais e seguir viagem até a Islândia. “Ele já atravessou o Oceano Atlântico quatro vezes, sempre trabalhando em barco particular. Este sempre foi o emprego dele. [Esta] é a primeira vez que trabalha para ONG”, explicou.

O contramestre em navegação é o responsável por coordenar a tripulação do convés, supervisionar manobras, operações de carga e manutenção, garantindo disciplina e segurança a bordo. De acordo com Marcelo, o filho entrou na embarcação em São Sebastião (SP) para descer em Recife (PE), onde acabou sendo contratado para seguir até a Islândia.

“Como pai, estou aqui super ansioso”, lamentou. “Uma angústia porque não tem nada oficial. O que vai acontecer? Eles vão ser deportados? Eles vão ser presos? [...] Pô, ele era funcionário, ele não mandava no barco, o barco ia onde queria, não onde ele queria. Está nessa, ele e todo mundo, embora estejam sendo muito bem tratados, é fogo”, acrescentou.

Itamaraty acompanha o caso

O Ministério das Relações Exteriores informou que o governo brasileiro, por meio da Embaixada do Brasil em Oslo, está em contato com as autoridades islandesas para obter mais informações sobre o caso e prestar assistência consular aos brasileiros. Até o momento, não havia detalhes oficiais sobre a situação jurídica da tripulação.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

A Captain Paul Watson Foundation condenou a ação do governo islandês e pediu informações sobre os tripulantes. Em publicação nas redes sociais, a ONG divulgou o vídeo da abordagem e escreveu: “Nossa missão nunca foi sobre violência. A equipe da Bandero é heroica. Eles escolheram ficar entre baleias em perigo e os garfos, sabendo dos riscos.”