Trump propõe fim da proibição de voos supersônicos sobre terra nos EUA
Trump propõe fim de proibição de voos supersônicos sobre terra

O governo de Donald Trump propôs liberar voos supersônicos sobre áreas terrestres dos Estados Unidos, revertendo uma proibição em vigor há mais de 50 anos. A medida revoga a política de 1973 que impedia aeronaves civis de voar a Mach 1 ou mais sobre o território americano e cria um padrão provisório de certificação baseado em ruído para esse tipo de aeronave.

Novas regras de ruído e certificação

O Departamento de Transportes dos EUA e a Administração Federal de Aviação (FAA) informaram na terça-feira (30) que pretendem apresentar ainda neste ano regras específicas para o barulho em pousos e decolagens de jatos supersônicos. Pela proposta, operadores terão de comprovar que a sobrepressão do estrondo sônico — aumento da pressão atmosférica causado pela aeronave — não ultrapassa 5,3 pascais na superfície, patamar considerado bem abaixo do nível capaz de provocar danos.

Segundo a FAA, os avanços tecnológicos agora já permitem operar esse tipo de voo sem produzir um estrondo perceptível no solo. O governo Trump quer concluir as duas regulamentações até meados de 2027.

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Benefícios para a Boom Supersonic

As novas regras podem beneficiar a Boom Supersonic, empresa que desenvolve o Overture, um avião comercial de alta velocidade que, segundo a companhia, poderá praticamente cortar pela metade o tempo de voo entre Nova York e Londres. A empresa já tem pedidos e pré-encomendas de companhias como United Airlines, American Airlines e Japan Airlines, conforme seu site.

“Por tempo demais, regras ultrapassadas seguraram nossos engenheiros e fabricantes”, disse em nota Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca. Segundo ele, abrir caminho para o voo supersônico vai criar empregos qualificados e incentivar a inovação nos Estados Unidos.

Histórico da proibição

A proibição dos voos civis supersônicos sobre terra surgiu décadas atrás, depois de preocupações com danos materiais provocados pelos estrondos sônicos. A restrição veio após testes realizados pela FAA e pela Força Aérea americana em Oklahoma City, nos anos 1960, para medir a reação da população ao barulho. Os testes geraram milhares de reclamações e pedidos de indenização. Ainda assim, um estudo do National Opinion Research Center, da Universidade de Chicago, encomendado pelo governo logo depois, concluiu que, apesar das queixas, a “grande maioria” dos moradores entrevistados disse que conseguiria conviver com o ruído.

Tecnologia para reduzir estrondo sônico

Segundo o chefe da FAA, Bryan Bedford, avanços em engenharia aeroespacial, ciência dos materiais, redução de ruído e novos conceitos operacionais devem eliminar o antigo problema do estrondo sônico. Uma das técnicas usadas para isso é o chamado “Mach cutoff”, em que o desenho do avião e outros fatores fazem com que o estrondo seja desviado de volta para a atmosfera, reduzindo seus efeitos em solo.

Segundo o governo americano, as novas regras devem permitir que fabricantes concluam o desenvolvimento de aeronaves capazes de reduzir drasticamente o tempo de viagem e acelerar o transporte de pessoas e mercadorias.

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