Os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros a partir desta sexta-feira (24), sob alegação de trabalho forçado no país. A medida, que atinge 99,4% das importações norte-americanas do Brasil, foi imediatamente rechaçada pelo governo brasileiro, que a classificou como uma manipulação de um tema caro aos direitos humanos.
Governo brasileiro reage à tarifa
O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota oficial repudiando a decisão. Segundo a pasta, não há fundamento para a acusação de trabalho forçado no Brasil, e a tarifa é uma medida protecionista disfarçada de preocupação social. A chancelaria brasileira estuda medidas recíprocas, incluindo a abertura de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC).
“Não existe qualquer evidência de trabalho forçado no Brasil que justifique essa tarifa. Trata-se de uma manipulação de um tema caro aos direitos humanos para fins comerciais”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
Impacto econômico e setores afetados
O setor agropecuário é o mais atingido, respondendo por cerca de 70% das exportações brasileiras para os EUA. Produtos como carne bovina, café e suco de laranja estão entre os mais taxados. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que a tarifa pode reduzir em até 15% as exportações do setor para os EUA neste ano, gerando perdas de aproximadamente US$ 2 bilhões.
O Ministério da Economia avalia que a medida pode impactar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 0,2 ponto percentual, caso se prolongue por mais de seis meses. A balança comercial entre os dois países registrou superávit de US$ 12 bilhões para o Brasil em 2025.
Reação do mercado financeiro
O Ibovespa fechou em queda de 1,5% nesta sexta-feira, pressionado pela incerteza comercial. O dólar subiu 0,8%, cotado a R$ 5,40. Analistas do JPMorgan alertaram que o alívio no fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira não vai durar, citando a tarifa como mais um fator de risco. “A medida dos EUA adiciona volatilidade e pode afastar investidores estrangeiros”, disse estrategista do banco.
Contexto internacional
A tarifa dos EUA por trabalho forçado atinge 99,4% das importações do país, segundo dados do governo norte-americano. O Brasil não é o único alvo: outros países como Vietnã e Indonésia também foram taxados recentemente. A medida faz parte de uma política mais ampla do governo Biden de combater práticas trabalhistas abusivas, mas críticos apontam que ela serve a interesses protecionistas.
O governo brasileiro busca apoio de parceiros comerciais na OMC e em fóruns multilaterais para reverter a decisão. A expectativa é que o tema seja discutido na próxima reunião do Mercosul, prevista para agosto.



