A final da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha, neste domingo (19), não deve reunir apenas argentinos no principal reduto da torcida albiceleste em São Paulo. Na Mooca, Zona Leste da capital, brasileiros que adotaram os "hermanos" como seleção também prometem vestir azul e branco e torcer por Lionel Messi em busca de mais um título. Alguns têm família no país vizinho ou viveram por lá. Outros nunca sequer cruzaram a fronteira, mas dizem que trocaram a Seleção Brasileira pela argentina há anos.
Brasileiros que nunca estiveram na Argentina
Gilson Santana dos Santos, de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, nunca esteve na Argentina, mas afirma que a ligação com o país começou há quase três décadas. Segundo ele, a torcida pelos "hermanos" nasceu durante a Copa do Mundo de 1998, disputada na França. Naquele Mundial, a campanha brasileira terminou com a derrota por 3 a 0 para a seleção francesa, comandada por Zinédine Zidane. "Torço pra Argentina desde 1998, desde quando o Brasil começou a ramelar. Aí o coração disparou e foi pra Argentina", brincou.
Na semifinal contra a Inglaterra, disputada na quarta-feira (15), Gilson acompanhou cada lance no reduto da Mooca. Para ele, a rivalidade histórica entre argentinos e ingleses deixava o confronto ainda mais especial.
Laços familiares e surpresa com brasileiros
Se Gilson adotou a Argentina por afinidade, Sofia Milene Munhoz tem uma ligação familiar com o país. Nascida no Brasil, ela se mudou para a Argentina aos cinco anos e herdou a nacionalidade argentina do pai. Acostumada a assistir aos jogos em outros pontos da cidade, ela decidiu acompanhar a semifinal na Mooca e se surpreendeu ao encontrar tantos brasileiros torcendo pela seleção de Messi. "Tem muito argentino, muito brasileiro torcendo pela Argentina. Isso me surpreendeu muito", contou. Segundo ela, o clima da rua lembrava o de uma "cancha" — como os argentinos chamam os estádios de futebol. "Eu estou achando muito legal. Parece um estádio da Argentina. Eu amei demais, sinceramente."
Organização e respeito
O professor Daniel Rivera Santos também faz parte desse grupo. Ele morou, trabalhou e se casou na Argentina, experiência que criou um vínculo permanente com o país. Há anos, Daniel ajuda a organizar os encontros de torcedores na Mooca, que ganharam força principalmente depois do título mundial conquistado pelos argentinos em 2022. Para ele, a presença crescente de brasileiros mostra que a identificação com uma seleção pode ir além da nacionalidade. "A paixão pelo futebol aproxima as pessoas. Todos temos que ser respeitados. Quando houver respeito, tudo dá certo", afirmou.
Reduto argentino na Mooca
Durante esta Copa, a esquina das ruas Leme da Silva e da Mooca virou uma espécie de extensão das arquibancadas argentinas. Enquanto dentro do bar Moocaires predominam os imigrantes, do lado de fora a torcida reúne brasileiros, descendentes e admiradores da cultura do país vizinho. Neste domingo, a expectativa é de que o cenário se repita. A torcedora que deu o depoimento inicial resumiu o sentimento: "Tem muita gente torcendo pra Argentina".



