A economia da zona do euro registrou um crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Eurostat, o escritório de estatísticas da União Europeia. O resultado foi impulsionado por um aumento nos gastos empresariais em inteligência artificial (IA) e pela melhora na confiança dos consumidores, que voltaram a gastar mais em serviços e bens duráveis.
Crescimento impulsionado por investimentos em IA
O setor de tecnologia, especialmente empresas focadas em IA, liderou a expansão. Grandes corporações, como as alemãs Siemens e SAP, aumentaram seus investimentos em infraestrutura de dados e automação, contribuindo para o avanço do PIB. Segundo analistas do Banco Central Europeu (BCE), os gastos com IA adicionaram cerca de 0,15 ponto percentual ao crescimento trimestral. “A adoção acelerada de IA está gerando ganhos de produtividade e estimulando a demanda por equipamentos e serviços especializados”, afirmou o economista-chefe do BCE, Philip Lane, em comunicado.
Consumidores confiantes elevam consumo
A confiança do consumidor atingiu o maior nível em três anos, segundo pesquisa da Comissão Europeia. As vendas no varejo subiram 0,6% em junho, com destaque para automóveis e eletrônicos. O indicador de confiança subiu para -5,3 pontos em junho, ante -7,1 em março, sinalizando otimismo com o mercado de trabalho e a renda disponível. “Os consumidores estão mais propensos a gastar, impulsionados por salários reais mais altos e baixo desemprego”, comentou Cláudia Oliveira, economista do instituto de pesquisas Ifo.
Perspectivas para o segundo semestre
Apesar do bom desempenho, o BCE mantém cautela. A inflação ao consumidor na zona do euro subiu para 2,3% em junho, ainda acima da meta de 2%. O banco central deve manter as taxas de juros estáveis na próxima reunião, mas sinaliza possível corte se a inflação continuar desacelerando. “O crescimento sustentado dependerá da evolução dos preços e da demanda global”, alertou Lane. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta expansão de 1,2% para a zona do euro em 2026, com riscos de desaceleração na China e nos Estados Unidos.
Desempenho por país
Alemanha, maior economia do bloco, cresceu 0,3% no trimestre, puxada pela indústria química e automotiva. França registrou alta de 0,5%, beneficiada pelo consumo doméstico. Itália e Espanha cresceram 0,4% e 0,6%, respectivamente. Já os países bálticos tiveram contração devido à queda nas exportações para a Rússia.



