Volvo abandona meta de vendas de 2026 por crise na China
Volvo abandona meta de vendas de 2026 por crise na China

A Volvo abandonou sua meta de aumentar as vendas de veículos em 2026 após uma deterioração mais intensa do que o esperado no mercado chinês, destacando os desafios enfrentados pelas montadoras diante da desaceleração da maior economia automotiva do mundo.

Resultados abaixo das expectativas

A fraqueza da demanda na China pressionou a rentabilidade da companhia no segundo trimestre. A montadora sueca informou lucro operacional de 826 milhões de coroas suecas (US$ 85 milhões) no período, resultado abaixo das expectativas dos analistas.

As ações da empresa controlada pelo grupo chinês Zhejiang Geely Holding chegaram a cair até 11% na Bolsa de Estocolmo, registrando a maior queda intradiária desde fevereiro. Com isso, a desvalorização acumulada dos papéis em 2026 supera um terço do valor de mercado da companhia.

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Declarações do CEO

“O mercado está bastante sombrio”, afirmou o CEO Håkan Samuelsson em entrevista. Segundo ele, a combinação de incertezas políticas, confiança enfraquecida dos consumidores e a forte retração do mercado chinês pesou sobre os resultados. “Isso provavelmente aconteceu mais rápido do que esperávamos”, disse.

A Volvo e outras fabricantes globais continuam enfrentando desafios como a demanda volátil por veículos elétricos, a intensa competição de preços e a fraqueza do mercado americano, onde as vendas de elétricos ainda não se recuperaram após o fim de incentivos à compra.

Dependência do mercado chinês

As montadoras europeias são particularmente dependentes da China, responsável por cerca de um terço do mercado automotivo global. Recentemente, BMW e Volkswagen também atribuíram parte da queda de suas vendas globais ao enfraquecimento da demanda chinesa.

Apesar das dificuldades, a Volvo espera uma melhora significativa no segundo semestre, impulsionada pelo crescimento das vendas na Europa e por uma recuperação do mercado dos Estados Unidos. A companhia também prevê forte geração de caixa livre no fim do ano e projeta encerrar 2026 próxima do ponto de equilíbrio.

Riscos e perspectivas

Samuelsson alertou, entretanto, que o principal risco para essa recuperação é uma nova deterioração da economia global. Segundo ele, uma eventual escalada do conflito no Oriente Médio para uma guerra em larga escala teria impacto negativo sobre a atividade econômica mundial.

A empresa afirmou ainda ter alcançado 5 bilhões de coroas suecas em economias de custos indiretos e variáveis neste ano, seis meses antes do previsto, complementando os 8 bilhões de coroas economizados em 2025. Além disso, a Volvo pretende aprofundar a cooperação com a Geely em plataformas de veículos, componentes e modelos desenvolvidos especificamente para o mercado chinês.

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