Volatilidade externa do petróleo explica trajetória errática de combustíveis, diz IBGE
Volatilidade externa do petróleo explica combustíveis erráticos

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirmou que a volatilidade do cenário externo para o petróleo é o principal fator por trás da trajetória errática dos preços de combustíveis no varejo observada nos últimos meses. A avaliação consta na análise da prévia da inflação oficial de junho, divulgada nesta quinta-feira (16) pelo instituto.

Impacto nos preços ao consumidor

Segundo o IBGE, os preços dos combustíveis apresentaram movimentos de alta e queda em curtos períodos, refletindo as oscilações do mercado internacional de petróleo. Em junho, a gasolina caiu 0,49% ante maio, enquanto o etanol subiu 0,96% e o diesel recuou 0,13%. O comportamento contrasta com o observado nos meses anteriores, quando os combustíveis pressionaram a inflação.

O gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, destacou que a volatilidade externa é determinante. "A trajetória dos preços de combustíveis no varejo está muito atrelada ao comportamento das cotações do petróleo no mercado internacional. Quando há incertezas geopolíticas ou variações na oferta global, isso se reflete rapidamente nos preços internos", explicou.

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Inflação oficial em junho

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho ficou em 0,21%, abaixo do esperado pelo mercado. O resultado foi influenciado justamente pela queda nos preços dos combustíveis, que contribuíram para conter a inflação. No acumulado em 12 meses, o IPCA está em 4,23%, ainda acima do centro da meta de 3,5%.

Kislanov ressaltou que, apesar da queda em junho, o cenário para os combustíveis segue incerto. "Não há uma tendência clara de queda ou alta. O que vemos é uma volatilidade que deve persistir enquanto o mercado internacional de petróleo não se estabilizar", afirmou.

Perspectivas para o segundo semestre

Analistas consultados pelo IBGE apontam que a política de preços da Petrobras, que acompanha as cotações internacionais, amplifica os efeitos da volatilidade externa no mercado doméstico. A estatal reajusta os preços com base na paridade de importação, o que torna os combustíveis brasileiros suscetíveis às oscilações do barril de petróleo.

Para o segundo semestre, a expectativa é de que os preços dos combustíveis continuem voláteis, com possíveis impactos na inflação. O IBGE monitora de perto o comportamento do setor, que responde por cerca de 5% do IPCA.

"A volatilidade externa do petróleo é o principal driver. Enquanto houver incertezas sobre a demanda global, especialmente da China, e sobre a oferta da Opep+, os preços internos devem seguir essa trajetória errática", concluiu Kislanov.

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