Um estudo da Câmara Americana de Comércio (Amcham) revela que a carga tributária sobre as exportações brasileiras atinge US$ 125 bilhões por ano. O montante equivale a cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e representa um entrave significativo para a competitividade internacional dos produtos nacionais.
Setores mais afetados
O levantamento aponta que os setores de agronegócio e mineração são os mais impactados pela taxação. No agronegócio, os tributos sobre exportações somam US$ 45 bilhões anuais, enquanto na mineração o valor chega a US$ 30 bilhões. Outros setores, como manufatura e serviços, também sofrem com a carga tributária, mas em menor escala.
De acordo com a Amcham, a alta tributação reduz a margem de lucro das empresas exportadoras e desestimula novos investimentos. “O Brasil precisa urgentemente de uma reforma tributária que simplifique e reduza os impostos sobre as exportações para ganhar competitividade global”, afirmou o presidente da entidade, Abrão Neto.
Comparação internacional
O estudo compara a situação do Brasil com outros países emergentes, como México e Chile, que têm cargas tributárias sobre exportações significativamente menores. Enquanto o Brasil tributa em média 12% do valor exportado, o México aplica 4% e o Chile, 3%. Essa diferença coloca os produtos brasileiros em desvantagem nos mercados internacionais.
A Amcham também destaca que a complexidade do sistema tributário brasileiro gera custos adicionais para as empresas, que precisam contratar equipes especializadas para lidar com a burocracia. Estima-se que esses custos representem mais 2% do valor das exportações.
Impacto na economia
A carga tributária elevada sobre as exportações tem reflexos diretos na balança comercial e no crescimento econômico. Segundo o estudo, uma redução de 1 ponto percentual na taxa média poderia aumentar as exportações em até US$ 10 bilhões por ano, gerando empregos e renda.
O governo federal já sinalizou a intenção de promover uma reforma tributária, mas o processo enfrenta resistência no Congresso Nacional. A Amcham espera que os dados do estudo sirvam de base para o debate e ajudem a sensibilizar os parlamentares sobre a urgência da medida.



